
Mato Grosso do Sul
Agrotóxicos falsificados ameaçam lavouras e mobilizam fiscalização em MS
| INFORMATIVOMS / GOVERNO MS
Produtos vendidos como originais, com embalagens e documentos aparentemente regulares, podem esconder agrotóxicos sem os ingredientes necessários para combater pragas nas lavouras. O problema está entre os temas do Seminário de Capacitação para Fiscalização Integrada de Insumos Agropecuários, que reúne órgãos públicos, forças policiais e representantes do setor privado em Campo Grande até sexta-feira (23).
Iniciado na segunda-feira (19), o evento busca preparar equipes para reconhecer produtos ilegais, identificar fraudes e aprimorar a fiscalização do comércio e do transporte de insumos em Mato Grosso do Sul.
Segundo o diretor-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Daniel Ingold, o produtor rural também pode ser enganado ao comprar mercadorias falsificadas apresentadas como legítimas. Nesses casos, além do prejuízo financeiro, a falta de eficácia do produto compromete o controle de pragas e pode ampliar os riscos ambientais.
O secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Alex Melotto, destacou na abertura que o enfrentamento ao contrabando exige cooperação entre fiscalização, forças de segurança e setor produtivo. A proposta é reunir conhecimento técnico, inteligência e capacidade operacional para retirar os insumos irregulares de circulação.
Entre os riscos apontados está o impacto sobre a citricultura, atividade em expansão no Estado. Melotto citou o controle do psilídeo, inseto transmissor do greening, como exemplo de uma estratégia sanitária que pode ser prejudicada pelo uso de produtos falsificados. Ao acreditar que está combatendo o vetor com um insumo sem eficácia, o produtor pode deixar a lavoura desprotegida e comprometer os esforços de prevenção à doença.
A extensão da fronteira seca de Mato Grosso do Sul, superior a 800 quilômetros, também foi apontada como um desafio para o combate à entrada de mercadorias ilegais. Conforme o secretário-adjunto, essa característica exige articulação permanente entre instituições estaduais e federais.
Durante a capacitação, os participantes têm acesso a atividades teóricas e práticas sobre reconhecimento de agrotóxicos ilegais, identificação de sementes clandestinas e análise de documentos fiscais e de transporte. A programação inclui exercícios de fiscalização em rodovias, além de discussões sobre desvio de embalagens de agrotóxicos, fraudes documentais e trânsito de animais.
O seminário é promovido pela Iagro em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a CropLife Brasil, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV).
A expectativa dos organizadores é ampliar a troca de informações e aperfeiçoar os procedimentos de identificação e apreensão de produtos irregulares, protegendo a produção agropecuária, a saúde da população e o meio ambiente.


