Inadimplência das empresas de MS chega a R$ 4,09 bilhões

O crescimento foi de 25,7% no número de CNPJs endividados

| IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS


Rua 14 de Julho, no Centro de Campo Grande, totalmente vazia (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Mato Grosso do Sul tem 136,6 mil empresas inadimplentes, que totalizam aproximadamente R$ 4,09 bilhões em dívidas. Os dados fazem parte dos Indicadores de Inadimplência da Serasa Experian, referentes a julho.

Se comparado a julho do ano passado, o crescimento foi de 25,7% no número de CNPJs inadimplentes e de 45% no volume de débitos. A dívida média por CNPJ saiu de R$ 25.962,53 para R$ 29.943,06 em 12 meses, alta de 15,3%.

O Estado responde por 1,5% das empresas inadimplentes do País e ocupa a 16ª posição no Brasil, tendo o maior número de empresas nessa situação.

“Estamos vivendo um momento que exige atenção. Endividamento, inadimplência, custo elevado do crédito e redução da confiança acabam pressionando tanto a capacidade de consumo das famílias quanto a capacidade de investimento das empresas. Esse processo pode gerar um efeito econômico importante: quando famílias reduzem o consumo e empresas diminuem os investimentos, a demanda enfraquece, pressionando receitas, emprego e renda', destacou o economista e diretor de Projetos da Agricon Consultoria, Fábio Ferreira Júnior.

Já no setor rural, levantamento feito pela Aprosoja-MS realizado em agosto mostra que 27,6% dos financiamentos dos produtores rurais eram considerados problemáticos.

Em relação às famílias, o índice de inadimplência da pessoa física em Mato Grosso do Sul chegou a 60,86%. Segundo dados do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, bancos e cartões de crédito representam 28,32% das dívidas, seguidos por financeiras (17,95%), contas de água, luz e gás (17,86%) e serviços (14,09%).

Recuperação judicial - No segundo trimestre de 2026, Mato Grosso do Sul contabilizou 144 empresas em recuperação judicial, principalmente entre micro e pequenas empresas.

As microempresas representam 37,7% dos casos, seguidas pelas médias empresas, com 29,8%, e empresas de pequeno porte, com 25,4%.

O Indicador de Recuperação Judicial no Estado ficou em 3,2, acima da média nacional de 2,3.

 Na visão de Fábio, é necessário analisar cada caso individualmente. “Nem toda empresa ou produtor enfrenta a mesma realidade. Mais do que simplesmente buscar crédito, é fundamental avaliar a capacidade de pagamento, o fluxo de caixa, o mercado de atuação e a finalidade do recurso. Em um cenário de maior restrição financeira, decisões econômicas bem estruturadas podem ser determinantes para preservar a saúde financeira e criar condições para a retomada dos investimentos.', pontuou.

Ainda segundo ele, a dificuldade está em evitar que o endividamento se transforme em um ciclo maior.

“É preciso cautela, planejamento e uma análise individualizada. Para algumas empresas, a prioridade pode ser reorganizar dívidas e preservar caixa; para outras, pode ser necessário investir para ganhar produtividade. O importante é entender a realidade financeira do negócio antes de tomar novas decisões de crédito ou investimento', finalizou.



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