Indígenas denunciam ataque com fogo, tiros e gás lacrimogêneo em Amambai

Conforme o relato de um morador, homens armados e policiais entraram na comunidade para despejá-los

| CLARA FARIAS / CAMPO GRANDE NEWS


Restos de madeira queimados em ocupação. (Foto: Direto das Ruas)

Indígenas do Tekoha Tapy Kora, em Amambai, a cerca de 350 quilômetros de Campo Grande, denunciaram um ataque à comunidade nesta sexta-feira (4). Conforme vídeos publicados na página da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), casas foram queimadas, e segundo relato, houve um ataque com gás lacrimogêneo no local.

Em uma das gravações, um morador mostra uma munição encontrada no local e afirma que se trata de um artefato de gás lacrimogêneo. Na sequência, ele registra áreas queimadas e acusa a presença de homens armados durante a ação. 'Pistoleiros junto com policiais fazendo despejo assim, atacando à noite no Tekoha Tapy Kora', afirma o homem que fez a gravação.

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O morador também mostra o ponto por onde, segundo ele, os homens teriam entrado na área. Ele relata ainda que uma liderança indígena quase foi morta durante o ataque e afirma que uma casa foi incendiada, junto com documentos e alimentos que estavam no imóvel.

Em outro vídeo, gravado durante o dia, é possível ouvir pelo menos seis disparos de arma de fogo. Uma mulher grita durante a gravação, enquanto, ao fundo, alguns indígenas aparecem correndo em direção a uma cerca.

Até a publicação desta matéria, não havia confirmação independente sobre a autoria dos disparos, do incêndio ou do uso de gás. Os relatos divulgados pela APIB atribuem a ação a homens armados e policiais.

O Tekoha Tapy Kora está localizado em Amambai e faz parte da Terra Indígena Iguatemipeguá II, área reivindicada por indígenas guarani e kaiowá. A Fazenda Limoeiro está sobreposta ao território e é alvo de disputa entre os proprietários e indígenas que reivindicam a área como território tradicional.

O conflito na região se intensificou nos últimos meses. Em junho, cerca de 30 indígenas ocuparam novamente a Fazenda Limoeiro durante a madrugada. Na ocasião, a Polícia Militar informou que foi acionada pelo proprietário após o registro de um boletim de ocorrência sobre a ocupação e afirmou que houve danos na estrutura da propriedade.

No dia 17 de junho, a Polícia Militar prendeu um indígena durante uma ação para retirada dos ocupantes. Segundo a PM (Polícia Militar), representantes do Ministério dos Povos Indígenas, da Funai e da Força Nacional estiveram na fazenda e tentaram negociar a saída voluntária do grupo, mas não tiveram sucesso.

Na mesma ocasião, indígenas denunciaram o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha durante a retirada. Imagens divulgadas pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) mostravam fumaça e sons de disparos durante a operação.

Já em abril, cinco indígenas foram presos após um confronto com policiais na região.

A demarcação da Terra Indígena Iguatemipeguá II entrou na fase de estudos de identificação em julho de 2008. A área, desde então, permanece envolvida em disputa fundiária e conflitos entre indígenas e proprietários rurais.

A Polícia Militar ainda não havia se manifestado, até a publicação da matéria, sobre a denúncia feita pelos indígenas nesta sexta-feira. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

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