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Macrófitas do Rio Pardo chegam a Bataguassu e formam extensa mancha verde
Vegetação já pode ser vista da MS-395 e perto da confluência com o Paraná
| INARA SILVA / CAMPO GRANDE NEWS
As grandes manchas de plantas aquáticas que tomaram o reservatório da UHE Mimoso (Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand), em Ribas do Rio Pardo, avançaram pelo Rio Pardo e chegaram à região de Bataguassu, a 240 km adiante. Imagens aéreas mostram áreas cobertas pela vegetação no trecho próximo à ponte da MS-395 e também nas proximidades do encontro do Pardo com o Rio Paraná.
As macrófitas, conhecidas popularmente como “alfaces-d’água', estavam concentradas principalmente no reservatório da usina e passaram a descer o rio após a abertura das comportas. Antes de chegar a Bataguassu, a vegetação também foi observada em Santa Rita do Pardo, inclusive em pontos próximos à MS-040.
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Na MS-395, as manchas podem ser vistas por quem atravessa a ponte sobre o Rio Pardo. O rio passa pela região de Bataguassu e deságua no Paraná, onde também já há registro das plantas nas proximidades da confluência.
As imagens foram divulgadas pelo jornalista Tiago Apolinário, do jornal digital Da Hora Bataguassu. Um morador da região ouvido pelo Campo Grande News contou que já havia observado macrófitas descendo o Rio Pardo em outras ocasiões, mas não na quantidade vista agora.
Segundo ele, é comum encontrar algumas plantas sendo levadas pela correnteza, porém a concentração atual chama a atenção. “Pelo menos eu, é a primeira vez que vejo nessa quantidade', afirmou.
O deslocamento das macrófitas para Santa Rita do Pardo e Bataguassu também chegou à Assembleia Legislativa. Na quarta-feira (19), o deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) apresentou requerimento cobrando explicações e providências do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).
Um dos questionamentos é sobre a abertura das comportas da Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, conhecida como UHE Mimoso. O parlamentar quer saber qual foi a justificativa técnica para a medida e se os possíveis impactos ambientais e sociais do deslocamento das plantas foram avaliados previamente.
Caravina também questiona quais providências serão adotadas para retirar as macrófitas acumuladas em Santa Rita do Pardo e Bataguassu e se existe prazo para a limpeza dos trechos atingidos. O requerimento ainda pede informações sobre a possibilidade de fechamento das comportas para interromper o deslocamento das plantas para outros municípios.
Confira a galeria de imagens:
Origem - A proliferação de macrófitas no reservatório da UHE Mimoso já vinha sendo denunciada pelos moradores e foi investigada pelo Imasul. Conforme reportagem publicada anteriormente pelo Campo Grande News, um estudo técnico do instituto apontou que o local atingiu estado crítico de hipereutrofização, provocado pelo excesso de nutrientes na água.
O diagnóstico foi elaborado a partir de fiscalizações, medições e análises laboratoriais realizadas na bacia do Rio Pardo. Segundo o documento, o problema não tem uma única origem e está relacionado a uma combinação de fatores, entre eles lançamentos industriais, esgoto sanitário urbano, degradação do solo em propriedades rurais e problemas de saneamento em loteamentos e ranchos de pesca.
O represamento do Rio Pardo pela usina também interfere nesse processo. De acordo com o estudo, a redução da velocidade da água favorece a retenção de nutrientes, principalmente fósforo e matéria orgânica, criando condições para a proliferação das plantas aquáticas.
O relatório apontou ainda que efluentes lançados pela Suzano, empresa de celulose, contribuíram para o agravamento e, consequentemente, para o crescimento da população de macrófitas. O Imasul aplicou multa de R$ 500 mil à empresa e determinou a adequação do sistema de tratamento e a redução das cargas de fósforo e nitrogênio.
A usina, por sua vez, foi notificada a elaborar e executar um plano de limpeza e remoção contínua das macrófitas do reservatório, além de adotar medidas para reduzir a retenção de matéria orgânica.
O instituto também determinou adequações na Estação de Tratamento de Esgoto de Ribas do Rio Pardo e apontou a necessidade de medidas de conservação do solo em propriedades rurais e melhorias no saneamento de loteamentos e ranchos.
Outro lado - Ao se manifestar anteriormente sobre o relatório do Imasul, a Suzano afirmou que opera de acordo com a legislação e com os parâmetros estabelecidos no licenciamento ambiental. A empresa disse ainda que monitora continuamente seus processos e mantém diálogo com os órgãos responsáveis.
A companhia também ressaltou que o próprio relatório atribui as condições encontradas no reservatório a diferentes fatores presentes na bacia hidrográfica. Segundo a Suzano, os esclarecimentos técnicos solicitados pelo Imasul foram apresentados e a empresa permanece à disposição do órgão ambiental.
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