Mãe acusa monitora de dar tapa em criança autista dentro de escola municipal

Mulher diz que filho desmaiou depois da suposta agressão

| INEZ NAZIRA / CAMPO GRANDE NEWS


Fachada da DEPCA (Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente), onde o crime foi registrado (Foto:Arquivo/Paulo Francis)

Uma criança autista, de 8 anos, teria desmaiado após receber um tapa no rosto de uma monitora dentro da Escola Municipal Professora Maria Tereza Rodrigues, no Jardim Santa Emília, em Campo Grande. O caso aconteceu na manhã desta quinta-feira (20) e foi registrado pela mãe do menino, Lucineia de Sousa Pereira, de 45 anos, na DEPCA (Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente).

Segundo o boletim de ocorrência, a mãe procurou a delegacia para denunciar o episódio e levou o filho para prestar depoimento especial. A ocorrência foi registrada como maus-tratos qualificados, quando o crime é praticado contra pessoa menor de 14 anos.

  • Leia Também
  • Mulher já detida em Campo Grande por fingir ser criança é julgada em SC
  • Vacina contra 20 doenças será aplicada em 21 locais neste sábado na Capital

De acordo com Lucineia, o menino, que cursa o 2º ano do ensino fundamental no período matutino, teria apresentado uma crise no momento de retorno do recreio. Ele teria ficado agitado, balançado a cabeça e batido contra a barriga de uma funcionária que estava em um portão interno da escola controlando a passagem dos alunos.

A mãe afirma que o filho costuma apresentar crises e precisa de tempo para se reorganizar. “Ele tem vez que tem crise, tem que ser no tempo dele. É super inteligente, por um lado, mas o barulho o incomoda e ele se descontrola.'

Ao Campo Grande News, Lucineia relatou que, depois de o menino atingir a funcionária com a cabeça, ela teria dado um tapa no rosto dele. Conforme a versão apresentada pela mãe, a criança teria desmaiado e caído após a suposta agressão.

Uma segunda funcionária teria presenciado a situação, socorrido o menino e o levado para a direção da escola. Lucineia disse que soube do ocorrido quando foi buscar o filho. Segundo ela, já na sala da direção, o menino contou que havia desmaiado.

“Eu já estava lá, na sala da direção. Quando ele chegou, eu perguntei e ele falou: ‘Não, mãe, eu desmaiei’. Isso me deixou em choque. Estou até agora.'

A mãe afirmou ainda que uma ata teria sido elaborada pela escola, mas que não recebeu cópia do documento.

Segundo Lucineia, outra monitora teria confirmado que houve agressão. “Essa agressão pegou de surpresa, porque ele chegou até a desmaiar. Foi algo muito forte, não foi algo tão leve. Outra monitora confirmou. Ela foi testemunha, levou ele para a direção e falou que realmente essa outra monitora agrediu ele a ponto de desmaiar.'

A versão relatada pela mãe ainda será apurada pela Polícia Civil. Apesar da denúncia, o boletim de ocorrência registra que o menino não apresentava lesões aparentes no momento do depoimento especial.

Lucineia afirmou que o episódio abalou a confiança na escola. “A gente deixa eles na escola para aprender, para crescer. No caso dele, que é autista, para ele poder conviver com as pessoas. Mas aí, se eu deixo e acontece isso, ele desmaia. Uma pessoa dessa não pode estar em contato com criança. Não tem uma preparação para isso.'

O caso será investigado pela DEPCA. A mãe informou ainda que a direção da unidade teria comunicado o episódio à Semed (Secretaria Municipal de Educação).

A reportagem procurou a Semed para saber quais providências serão adotadas e para obter a versão da escola sobre o caso. Até o momento da publicação, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE