
Geral
Com quase 10 mil casos de chikungunya, MS prepara saúde para efeitos do El Niño
| INARA SILVA / CAMPO GRANDE NEWS
Com quase 10 mil casos confirmados de chikungunya e 30 mortes pela doença neste ano, Mato Grosso do Sul começou a preparar profissionais da rede de saúde para possíveis mudanças no cenário epidemiológico com o El Niño. Os treinamentos devem simular situações de aumento de pacientes com problemas respiratórios durante os períodos de queimadas e, na sequência, crescimento da procura por atendimento de pessoas com sintomas de dengue e chikungunya.
Conforme a Secretaria de Saúde, nos exercícios, as equipes precisam decidir como agir diante de uma eventual sobrecarga dos serviços, avaliando medidas como reorganização de profissionais, transferência de pacientes e ampliação da capacidade de atendimento. A preparação também considera cenários de ondas de calor, estiagem e chuvas intensas.
- Leia Também
- Com mortes em 10 cidades, chikungunya se aproxima de dez mil casos em MS
- Mais da metade das mortes de crianças indígenas poderia ser evitada, diz estudo
A iniciativa ocorre diante da possibilidade de alterações nos padrões de chuva e temperatura associadas ao El Niño e dos reflexos dessas condições sobre a saúde. O Ministério da Saúde alertou estados e municípios para o risco de aumento da transmissão de arboviroses. Conforme projeção do InfoDengue/Fiocruz, cerca de 1,7 milhão de casos de dengue devem ocorrer no Brasil em 2027. A estimativa, no entanto, poderá ser atualizada à medida que novos dados forem incorporados aos modelos.
O alerta ocorre em um momento em que Mato Grosso do Sul já registra circulação significativa de arboviroses. Até 11 de agosto, o Estado contabilizava 12.520 casos prováveis e 9.961 confirmações de chikungunya, com incidência de 454,2 casos para cada 100 mil habitantes. Em relação à dengue, eram 4.551 casos prováveis e 1.933 confirmados até a 31ª semana epidemiológica.
Formações - A série de capacitações começou nesta quinta-feira (20), coordenada pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), e deverá percorrer as nove regiões de saúde, considerando as diferentes realidades dos 79 municípios sul-mato-grossenses.
A primeira etapa reúne municípios da Região Centro, próximos a Campo Grande. A Capital terá atividade específica devido ao número de profissionais. Depois, os treinamentos seguem para outras regiões do Estado, entre elas a Norte, com referência em Coxim, e a Centro-Sul.
No dia 31 de agosto, está prevista uma capacitação direcionada aos profissionais que atendem populações consideradas mais vulneráveis, entre elas indígenas, quilombolas e ribeirinhos. As atividades envolvem representantes da Vigilância, Atenção Primária, hospitais e gestores municipais.
Calor, fumaça e chuva - A preparação leva em conta que diferentes eventos climáticos podem produzir impactos distintos e até sucessivos sobre a saúde da população. Períodos de seca e queimadas, por exemplo, podem aumentar os problemas respiratórios, enquanto a ocorrência de chuvas exige maior atenção para a proliferação do *Aedes aegypti*, transmissor da dengue, chikungunya e zika.
Mesmo durante a estiagem, ovos do mosquito podem permanecer em recipientes secos e retomar o ciclo de desenvolvimento quando entram em contato com a água. Por isso, a orientação é eliminar possíveis criadouros mesmo quando não há água acumulada.
A SES também prepara um manual para orientar profissionais de saúde no atendimento relacionado a eventos climáticos. A Defesa Civil abordará o uso dos alertas meteorológicos nas capacitações, enquanto a Vigilância Epidemiológica reforçará os procedimentos de notificação e identificação de mudanças no perfil dos atendimentos.
Recomendação - Para a população, as orientações são:
- manter caixas-d'água e reservatórios fechados,
- eliminar recipientes que possam acumular água,
- limpar bebedouros de animais e
- manter quintais e áreas externas livres de possíveis criadouros.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.