Líder do PCC deixa presídio em MS e vai para hospital após laudo psiquiátrico

Paulo César Júnior desenvolveu doença mental, agravada pelas condições da prisão, conforme perícia

| ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS


Paulinho Neblina foi dignosticado com transtorno bipolar (Foto: Reprodução)

Após laudo pericial atestar quadro psiquiátrico grave, a Justiça Federal autorizou a transferência do detento Paulo César Souza Nascimento Júnior, 53 anos, o “Paulinho Neblina', apontado como liderança da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). O criminoso, que acumula condenações superiores a 140 anos de prisão, deixará a Penitenciária Federal de Campo Grande e será internado em um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico em Taubaté (SP).

A decisão da 5ª Vara Federal Criminal de Campo Grande atende à recomendação médica após a confirmação de que o isolamento prolongado e o regime de segurança máxima agravaram o estado de saúde mental do custodiado.

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Conforme o documento, avaliação psicológica e psiquiátrica que fundamentou a autorização judicial foi realizada no âmbito de incidente de insanidade mental na Justiça Federal. O exame pericial, conduzido pelo médico psiquiatra Cristiano Felix dos Santos Silva Filho, diagnosticou Paulo César com Transtorno Bipolar em episódio depressivo grave acompanhado de sintomas psicóticos.

O documento atestou que o custodiado desenvolveu sintomas psicóticos agudos, como alucinações auditivas, delírios e a chamada Síndrome de Capgras — transtorno raro no qual o paciente acredita que pessoas próximas foram substituídas por impostores. Os relatórios médicos apontaram ainda episódios de automutilação e recusa de alimentação por paranoia de envenenamento.

Segundo o perito nomeado, o estado psicótico superveniente privou o apenado da capacidade de autodeterminação, tornando o ambiente estritamente prisional inadequado para a manutenção do seu tratamento básico. Paulo César também sofre com a doença de Crohn, condição gástrica sem cura que exige cuidado contínuo.

O laudo foi recebido pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) em 11 de maio deste ano, em novembro de 2025 a transferência havia sido negada.

Com mais de três décadas de pena cumprida no sistema penitenciário, sendo cerca de sete anos no sistema penal federal, Paulo César acumula episódios de greve de fome e recusa de vestuário por crises de paranoia e pânico.

Durante a custódia na Capital, onde estava desde 2018, relatava frequentemente receio de envenenamento e desconfiança ostensiva contra agentes penitenciários e familiares. Paulinho acumula mais de 100 anos de condenações.

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