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Resgatado da Gameleira, sobrinho de Tio Arantes é recapturado em festa
Ítalo de Moraes foi encontrado com outros cinco homens no Jardim Colúmbia; três armas foram apreendidas
| BRUNA MARQUES E GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS
Ítalo de Moraes, resgatado por um grupo armado do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, foi recapturado na manhã desta quarta-feira (22), em um imóvel para locação de eventos na Travessa Macuim, no Jardim Colúmbia, em Campo Grande. Outras cinco pessoas foram presas no local.
Ítalo é sobrinho de José Cláudio Arantes, conhecido como “Tio Arantes', apontado pelas forças de segurança como uma das principais lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) em Mato Grosso do Sul.
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Ao todo, três armas de fogo foram apreendidas durante a operação. A ação mobilizou sete viaturas da PM (Polícia Militar), incluindo uma equipe do Batalhão de Choque.
Cartões de memória de câmeras de segurança também foram recolhidos. As imagens poderão auxiliar na identificação das pessoas que passaram pelo imóvel e no esclarecimento da movimentação registrada durante a noite e a madrugada.
Entre os três detentos retirados da Gameleira durante a invasão armada, apenas Ítalo foi encontrado no endereço. Thiago Pereira Costa e Bruno Araújo da Silva não estavam entre os seis homens presos durante a festa.
O proprietário do imóvel acompanhou os trabalhos policiais. Uma tia de Ítalo também foi ao local para saber se ele estava bem, mas não quis conversar com a reportagem.
Durante a operação, disparos foram ouvidos na região e Ítalo entrou na casa de uma moradora de 36 anos. No momento, ela estava com as três filhas, de 5, 11 e 13 anos.
A mulher contou que limpava a pia e a área da cozinha, enquanto a filha de 11 anos varria os fundos da residência. As outras duas crianças estavam nos quartos quando ela escutou os primeiros tiros.
“Na mesma hora, chamei as crianças. Minha filha mais nova, de 5 anos, estava no meu quarto, e a de 13 anos estava no quarto dela, com a porta fechada. Comecei a gritar para que elas corressem', relatou.
A primeira reação da moradora foi tentar reunir a família e se proteger no chão da sala. Antes que conseguisse, porém, ela percebeu que um rapaz havia entrado no imóvel e batia na porta do quarto de uma das filhas.
“Minha intenção era deitar no chão da sala, porque, quando há tiros, a gente costuma se proteger dessa forma. Porém, vi um rapaz entrando e batendo na porta do quarto da minha filha. Ele dizia: ‘Dona, dona!’', contou.
Ao olhar para a frente da residência, a mulher também viu policiais tentando entrar pelo portão. Um dos agentes pediu que ela abrisse a entrada.
“Respondi que o portão estava apenas encostado e que era só empurrar. Em seguida, o policial mandou que a gente saísse', afirmou.
A moradora reuniu as filhas e deixou a residência correndo. “Eu gritei para minha filha: ‘Corre, Sabrina, corre!’. Peguei as crianças e saí correndo de casa. Fui até um condomínio próximo para pedir socorro, mas ninguém saiu. Depois, corri para a rua', relatou.
Outros policiais que chegavam ao endereço orientaram a família a permanecer afastada do perímetro da operação. Durante a fuga da residência, uma das meninas entrou em choque, passou mal e desmaiou. O Corpo de Bombeiros foi acionado para prestar atendimento.
Segundo a mãe, as crianças foram levadas pelo pai para a casa de uma tia, onde devem permanecer temporariamente. “Minha filha continua com muito medo. Ela tem receio até de entrar no banheiro e em outros cômodos da casa, porque viu o rapaz entrando no quarto. Nós ainda estamos em choque', disse.
A moradora afirmou que não conseguiu identificar se o homem que entrou em sua residência estava armado. Ela também não havia percebido armas com as pessoas que ocupavam o imóvel vizinho.
“Saio cedo para trabalhar e volto apenas à noite. Hoje estou de folga e, por isso, estava em casa. Não parei para observar se aquelas pessoas estavam armadas', explicou.
Ela contou que o grupo passou a noite com o som ligado, mas que o volume não era alto a ponto de incomodar a vizinhança. A movimentação, no entanto, era percebida pelos cachorros.
“Eles saíam várias vezes durante a noite porque tenho seis cachorros, e eles latiam toda vez, junto com os outros cães da vizinhança', afirmou.
Quando percebeu que o espaço havia sido alugado durante a semana, a moradora chegou a pensar que os ocupantes participavam de alguma atividade religiosa. “Isso costuma acontecer e geralmente não causa muita perturbação', disse.
Sobre os disparos, ela relatou ter escutado inicialmente cerca de três tiros. Depois, ouviu outros dois próximos da residência e acredita que houve mais um disparo em seguida.
A família ainda não conseguiu verificar se há marcas de tiros ou se algum objeto foi abandonado no imóvel. “Os policiais pediram que observássemos se alguma coisa havia sido dispensada aqui, mas ainda não tivemos condições de analisar a casa', relatou.
Outra moradora da região afirmou que a festa ainda continuava por volta das 6h desta quarta-feira. Diferentemente da vizinha que teve a casa invadida, ela disse ter visto pessoas exibindo armas no imóvel alugado.
“Ontem, quando cheguei do trabalho, eles já estavam na casa. Parecia haver muita gente no local. Eles não escondiam a arma e, quando percebi aquilo, fiquei com muito medo', relatou.
A mulher contou que já estava assustada por causa de um tiroteio ocorrido no dia anterior, em uma rua próxima. Segundo ela, um homem também a seguiu quando voltava para casa.
“Comecei a gritar para minha filha abrir o portão. Depois, meu filho me pediu para entrar logo e tomar cuidado, porque essas pessoas não pensam nas consequências', afirmou.
Conforme o relato, viaturas já haviam passado pela região durante a noite. Quando os policiais se aproximaram, o volume do som foi reduzido e as pessoas que estavam no imóvel permaneceram em silêncio.
“Minha filha viu pelas câmeras e me avisou que as viaturas estavam chegando. Eu estranhei porque não havia som alto naquele momento. Quando a polícia chegou, eles abaixaram o volume e ficaram quietos. Foi aí que começamos a desconfiar ainda mais da movimentação dentro da casa', disse.
A câmera instalada na residência da testemunha transmite apenas imagens em tempo real e não armazena gravações. Segundo ela, outro equipamento instalado em um imóvel próximo pode ter registrado a movimentação.
Resgate na Gameleira - Ítalo foi retirado do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira durante uma invasão armada registrada na madrugada de segunda-feira (20).
Conforme as informações iniciais, cerca de seis homens cortaram o alambrado da unidade, arrombaram cadeados e foram diretamente até a cela disciplinar onde Ítalo estava custodiado.
Além dele, os invasores também retiraram do presídio Thiago Pereira Costa e Bruno Araújo da Silva. O grupo deixou a unidade levando os três internos.
A forma como os homens entraram no presídio e seguiram diretamente até a cela disciplinar reforça a suspeita de que a retirada dos detentos tenha sido planejada.
Apesar de os três terem sido resgatados, somente Ítalo foi recapturado durante a operação realizada na festa no Jardim Colúmbia. Thiago e Bruno continuam fora da unidade prisional.
Antecedentes - Ítalo é conhecido pelas forças de segurança desde 2018, quando foi preso por participação na explosão de caixas eletrônicos do Banco do Brasil instalados no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande.
Na época, investigações do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) apontaram que ele integrava uma quadrilha comandada por Tio Arantes e atuava como ligação entre o tio e os demais envolvidos no crime.
Segundo a investigação, o grupo roubou mais de R$ 118 mil após explodir dois caixas eletrônicos dentro do parque. Ítalo foi preso meses depois usando documento falso e também foi autuado por tráfico de drogas e associação criminosa.
O caso também remete ao histórico de José Cláudio Arantes. Em novembro de 2021, Tio Arantes escapou do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira e permaneceu foragido até ser localizado e preso na Bolívia, em 2023.
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