Raphinha sente carinho diferente fora do Brasil: "Saí muito jovem e não consegui criar conexão"

Atacante diz que não pode mudar o gosto das pessoas e cita Ancelotti contente com desempenho: "Não podemos ser hipócritas e falar que foi igual ao clube. Mas pude entregar, sim, um bom futebol"

| GLOBOESPORTE.COM / BRUNO CASSUCCI E CAHê MOTA


Raphinha entrevista coletiva Seleção — Foto: Reprodução/ge tv

O atacante Raphinha minimizou as cobranças sobre seu desempenho na Seleção e destacou sua boa relação com o técnico Carlo Ancelotti antes da estreia contra o Marrocos.

Sobre o posicionamento tático, o jogador afirmou estar pronto para se adaptar a qualquer função e revelou que o elenco tenta blindar os atletas mais jovens das redes sociais.

Raphinha ressaltou a importância de ajustar a defesa para a Copa do Mundo e declarou que aceitaria ser campeão sem marcar gols ou dar assistências.

Raphinha enfrentou dificuldades com lesões e por isso atuou em apenas seis das 12 partidas de Carlo Ancelotti pela seleção brasileira. Revela um mal estar pessoal pelos momentos em que não participou, mas reforça manter conversas e boa relação com o treinador, mesmo quando rivais, por Real Madrid (onde estava o italiano antes da Seleção) e Barcelona.

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Contribuiu com duas assistências neste período com o técnico e termina sendo cobrado pela diferença de desempenho na Seleção e no clube, pelo qual marcou 21 gols e deu sete assistências na última temporada. Neste contexto, assume:

– Para ser sincero, sinto que realmente é diferente o carinho do torcedor brasileiro comigo do que o pessoal de fora.

– Eu acredito que, se tenho que me provar para alguém, é para mim, meus pais, minha esposa e meu filho. Infelizmente, não posso mudar o gosto das pessoas. Tem gente que gosta e gente que não gosta. Tudo bem. A vontade eu vou sempre entregar, o meu melhor. Isso que seria inadmissível, não entregar o melhor.

– É natural. Eu saí muito jovem do Brasil, não consegui criar conexão.

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É em meio a essa falta de conexão que o atacante termina sendo cobrado por não desempenhar pela Seleção da mesma forma que no Real Madrid. Situação semelhante a de outros atletas, como Vini Jr, por exemplo.

– Eu já consegui entregar muito pela Seleção sim. Obviamente que não podemos ser hipócritas e falar que foi igual ao clube. Mas, dentro do que passamos neste ciclo, pude entregar sim um bom futebol.

– Mas somos muito conscientes de que seleção brasileira é feita de resultados e somos cobrados. E se somos cobrados de fazer o que fazemos no clube, é porque temos condições de fazer na Seleção também. Não tenho problema com isso. Posso melhorar. E não só eu, mas vários jogadores, temos essa consciência de que podemos chegar mais próximo do que fazemos nos clubes.

O Brasil estreia na Copa às 19h do sábado (no fuso de Brasília), contra o Marrocos, em Nova Jersey, pela primeira rodada da fase de grupos.

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O quanto ainda tem para crescer na Seleção?

– Obviamente que vestir a camisa da Seleção nós queremos sempre. Sofri com algumas lesões na temporada. Pela Seleção perdi metade dos jogos. Eu, particularmente, fico muito mal de não estar presente. Mas sempre que estou, dou o meu melhor para a Seleção e vou fazer isso até onde meu corpo permitir.

– O Mister tem total confiança. Ele já me acompanhava na Espanha. Já conversamos várias vezes. Mesmo sendo muito rivais (na Espanha) tivemos boa relação.

– Por ter uma autocrítica muito alta, eu me cobro muito mais do que o Mister. Tento me provar mais que eu sou capaz do que eu deveria provar pro Mister. Ele está contente com o que venho entregando nos treinos e nos jogos, mas sei que posso fazer muito mais e estou buscando isso.

Rivalidade com Ancelotti na Espanha

– Acho que a história que ele escreveu dentro do futebol é admirável. Não só para quem trabalha com ele, mas até adversários. Sempre que tínhamos jogo contra o Real Madrid na Espanha o cuidado era 100%. Enfrentar um treinador como ele é sempre algo muito complicado. Felizmente, tive muita felicidade nos duelo contra ele. Espero poder fazer a favor tudo que eu fiz contra ele. Vou buscar dar sempre o meu melhor. Fisicamente e tecnicamente. Para poder dar bons resultados para ele e para o grupo, que merece muito.

Principal ponto de atenção para o primeiro jogo, contra o Marrocos

– Não só no primeiro jogo. Não só um ponto de atenção, mas vários. É uma competição em curto período de tempo. É muito traiçoeiro. Pouco tempo de trabalho para organizar. Com este tempo de preparação, estamos tentando nos adaptar e chegar o mais próximo possível de não cometer erros. O ponto de atenção é termos uma competição curta e errarmos o mínimo possível.

Sobre o Marrocos

– Ainda estamos vendo alguns pontos fortes e pontos fracos para estarmos preparados para explorar os pontos fracos. Temos alguns dias até o jogo para podermos aprimorar melhor.

Seleção está pronta?

– Sim. Tivemos momentos complicados, mas chegamos prontos para a estreia.

Posicionamento tático na Seleção

– É uma decisão do Mister. Eu não faço nem ideia. Tento me adaptar a qualquer posição que eu consiga exercer. Se tiver que jogar pela esquerda, vou me adaptar o melhor possível. Pela direita teria mais facilidade, por vir jogando há muito tempo. No começo da outra temporada tive que me adaptar no clube para jogar na esquerda. E se tiver que me adaptar no meio vou fazer o melhor possível também. O que o Professor pedir, vou fazer.

Lado direito da Seleção sem o Wesley

– Até mesmo no jogo do Egito, no final do primeiro tempo, fiz o lado direito. Acredito que seja mais o entendimento do que o jogo está precisando. Me adaptei no lado esquerdo. Se for analisar bem, no Barcelona, em teoria jogo na esquerda, mas não fico na esquerda, minha função é mais por dentro. E fiz isso contra o Egito. E no segundo tempo, terminei na ponta direita. A gente tem jogadores que podem exercer essa função na direita. Luiz, o Rayan, os dois tem essa capacidade. Estamos todos preparados para o que tivermos que fazer. E vamos respeitar a decisão do treinador.

Jogadores conversam sobre favoritismo?

– Eu acompanho zero do que sai de notícias. Tenho um pessoal que cuida das redes sociais. Não assisto à TV. Mas, não podemos ser hipócritas. Sabemos que jovens são muito ligados em redes sociais. Não tem como fugir. Porque acaba que a notícia cai no colo deles.

– A galera mais antiga, experiente, tenta fazer com que eles usem menos redes sociais. Até mesmo para não criar expectativa ou se frustrar pelo que é dito. Tentamos blindar o que vem de fora. A gente está muito confiante. Acho que a galera que não acredita, não é que não acreditem. Mas foram tanto anos se frustrando, porque tivemos seleções que podiam ganhar e não ganharam. E as pessoas não querem se frustrar novamente. Mas no fundo, todos estão torcendo pela Seleção e isso vai ser muito importante para nós.

O que muda de jogar com Endrick ou Igor Thiago?

– É uma questão de característica de cada um. Eles são diferentes, mas num todo temos que nos adaptar aos dois e eles têm que se adaptar ao grupo.

Diferença do Raphinha na Copa de 2022 e 2026

– Eu acho que senti mais pressão na Copa de 22 do que nessa. Porque me vendo com os olhos de hoje, em 2022 eu cheguei muito imaturo para a Copa. Não só na Seleção, também estava chegando ao Barcelona. Sentia que não estava totalmente adaptado à seleção brasileira. E agora me sinto muito mais preparado pelo meu momento no clube e na Seleção. A pressão vai existir sempre. Quando vestimos a camisa da seleção brasileira, a pressão vem junto. É a única que ganhou cinco Copas do Mundo. Se não estivermos preparados para a pressão, não podemos disputar um torneio deste nível.

Sobre Liam Cooper, capitão do Leeds, seu ex-clube.

– Quando eu cheguei, foi uma pessoa que me ajudou muito. Por adaptação, idioma, não falava inglês. Estava com frio. Foi uma pessoa que me ajudou a me adaptar no clube. Me trouxe com os jogadores, mesmo sem entender nada. Foi uma pessoa que me deu tranquilidade para exercer um bom futebol.

Aniversário de Carlo Ancelotti. Aliviaram no trote?

– Aliviaram (risos). Ninguém tocou nele. Teve um bolo, geralmente quando tem aniversário o pessoal da cozinha prepara um bolo legal. Não me deixaram comer o bolo, falaram que eu estava atrasado. Data especial, estar desfrutando essa data na Seleção, temos que tornar um momento especial. Sempre bom comemorar.

Papel de Raphinha na Seleção

– Temos que entender a grandeza de vestir a camisa da Seleção. Já disputei uma Copa e entendo isso. Passamos por momentos complicados, tivemos muitas dúvidas. E mesmo assim, chegamos fortes para esta Copa.

– Temos que saber a responsabilidade de cada um individualmente. Temos vários jogadores muito experientes. Até mesmo Vini, que não tem tanta idade, mas tem muita experiência no futebol e pode nos trazer o hexa. E eu me incluo nisso. Podemos resolver uma Copa. O fato de entendermos o nosso momento da carreira e o nosso peso, é importante para resolvermos os jogos.

Ambiente na Seleção

– Costumo conversar muito com meus amigos. Eles perguntam como é o clima, se é tenso ou leve. Sempre foi muito agradável estar aqui. Brincadeiras, momentos bons e ruins, que é normal. Mas o ambiente é sempre muito leve. Todo mundo quase sempre de palhaçada. Mas os momentos que temos que focar e ser sérios, conseguimos fazer isso. Isso é muito importante.

Rotina da Seleção na preparação

– Mas se eu pudesse, seria mais de 15 minutos no treino (risos). Vou tentar dizer como é um dia nosso. Acordamos cedo para tomar café e vamos para o treino. Cada um faz sua preparação. O pessoal que tem que fazer proteção no pé, vai fazer, e vamos para o campo. Depois vamos para o treino e vocês veem os 15 minutos.

– Depois dos 15 minutos, não posso dizer (risos). Depois, alguns fazem sauna, banheira fria... E depois vamos almoçar. Depois, alguns vão para o video-game, alguns para o ping-pong. Alguns vão para a fisioterapia fazer tratamento. Cuidar das costas. Cada um leva uma rotina um pouco diferente, mas sempre tem algum momento de cuidado com o corpo. Vai na fisio, faz uma bota de led, bota de pressão, mas quando tem tempo a galera vai se divertir dentro do possível.

Muitos gols sofridos

– Eu acho que realmente ofensivamente temos força muito grande. Mas, só ofensivo não vai ganhar a Copa. Temos consciência disso. Sabemos que defensivamente, se não tomar gol, temos grande chance de fazer gols. Então é um ponto importante de se treinar a parte defensiva. Se conseguirmos defender bem, a possibilidade de ganhar é grande.

– Só um ponto: estes dois jogos, Panamá e Egito, acho que defendemos bem. Poderíamos defender melhor. Mas defendemos bem. Tomamos um gol de bola parada, um de falha nossa e um golaço, que não tinha o que fazer. Não demos oportunidades de eles criarem perto da nossa área.

Objetivo pessoal

– Eu, como atacante, me cobro muito quando não faço gol ou assistência. Mas, se tiver que ganhar a Copa sem gol ou assistência, não tenho problema nenhum. Vou dar o meu melhor e defender bem para, se tiver oportunidade, fazer gols.



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