Baleado por adolescente em Bonito melhora, mas continua sem sentir as pernas

Alex Machado Leite está na enfermaria da Santa Casa, sem previsão de alta e não poderá passar por cirurgia

| CLARA FARIAS / CAMPO GRANDE NEWS


João Vitor Moreira Wuzke (a esquerda) e Alex Machado Leite (a direita), na enfermaria da Santa Casa (Foto: Direto das Ruas)

Alex Machado Leite, de 30 anos, baleado por um adolescente de 16 anos no último sábado (24), apresentou melhora no quadro de saúde e foi transferido para a enfermaria da Santa Casa da Capital. Em entrevista ao Campo Grande News, o irmão da vítima, João Vitor Moreira Wuzke, de 22 anos, contou que Alex não corre mais risco de vida. Apesar da melhora, ele ainda não recuperou os movimentos das pernas e não poderá passar por cirurgia, porque os projéteis estão muito próximos da coluna. Não há previsão de alta hospitalar. O pai, de 47 anos, e o adolescente autor dos disparos continuam foragidos.

João contou à reportagem que estava com Alex no dia do crime. Apesar de morar em Campo Grande, ele havia ido a Bonito e, naquela noite, os dois estavam nas proximidades de uma conveniência, onde pretendiam ouvir música e consumir bebidas alcoólicas. O que seria uma noite de festa acabou em violência após uma discussão de trânsito.

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Segundo João, os irmãos passavam pela região da Rua Monte Castelo quando pararam a caminhonete atrás do carro em que estava o pai do adolescente. O homem teria se irritado com a situação e foi discutir com Alex.

“Ele não gostou e partiu para cima. Ele entrou na caminhonete e começou a bater no meu irmão. Não deu nem tempo de estacionar a caminhonete. Aí, as pessoas vieram tentar separar os dois. Foi aí que o adolescente foi lá no carro e pegou a arma', relatou.

Ainda conforme o irmão, outras pessoas tentaram apartar a briga, mas o adolescente foi até um veículo e pegou uma arma de fogo. Alex foi atingido por dois disparos, ambos nas costas. Ewerton Rodrigues da Silva, de 35 anos, também foi baleado durante a ocorrência e morreu após dar entrada no hospital de Bonito.

Após receber os primeiros atendimentos no município, Alex foi transferido para Campo Grande devido à gravidade dos ferimentos. Inicialmente, ele ficou internado na ala vermelha da Santa Casa, mas apresentou melhora e foi encaminhado à enfermaria. Mesmo com a estabilização do quadro clínico, ainda não há previsão de quando poderá deixar o hospital.

João também afirmou que a família não conhecia os envolvidos na briga e que eles seriam de Aquidauana. Segundo ele, a defesa dos investigados chegou a divulgar que pai e filho se apresentariam às autoridades na segunda-feira (26), mas, até o momento da entrevista, isso não havia ocorrido.

Medidas cautelares

A família também contesta a informação de que Alex deveria cumprir recolhimento domiciliar e estaria impedido de circular livremente. Em matéria publicada anteriormente pelo Campo Grande News, foi informado que ele cumpria pena em regime aberto por tráfico de drogas, com determinação judicial de recolhimento domiciliar entre 20h e 5h.

A progressão de regime foi concedida em abril de 2026. Conforme a decisão judicial, além do recolhimento domiciliar noturno, havia outras condições, como a proibição de deixar a comarca sem comunicação prévia e a apresentação mensal ao fórum para comprovar ocupação lícita e endereço.

Questionado pela reportagem, João afirmou que o irmão não utilizava tornozeleira eletrônica e negou que houvesse restrição que o impedisse de circular normalmente. As determinações judiciais mencionadas na reportagem anterior constam da decisão de execução penal.

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