
Mato Grosso do Sul
Confiança da indústria de Mato Grosso do Sul sobe e chega a 52,5 pontos em outubro
| INFORMATIVOMS / A ONçA
Expectativa de melhora nos negócios impulsiona indicador, mas setor ainda enfrenta custos elevados, juros altos e dificuldades de acesso ao crédito.
A confiança dos empresários industriais de Mato Grosso do Sul voltou a crescer em outubro e atingiu 52,5 pontos, uma alta de 3,7 pontos em relação ao levantamento anterior. O resultado indica a retomada da confiança no setor, impulsionada principalmente pelas perspectivas positivas para os próximos seis meses.
Os dados são do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pelo Observatório da Indústria do Sistema Fiems. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 13 de outubro, com 58 empresas de pequeno, médio e grande porte.
Um dos principais fatores para a melhora do indicador é a expectativa em relação ao desempenho dos próprios negócios. Entre os industriais entrevistados, 41% acreditam que a situação de suas empresas vai melhorar nos próximos seis meses, enquanto 43% esperam estabilidade. Outros 16% projetam um cenário negativo.
A perspectiva também é favorável em relação à demanda. Segundo o levantamento, 38% das empresas esperam aumento na procura por seus produtos, enquanto 54% acreditam que o volume de pedidos permanecerá estável. Apenas 9% preveem redução.
As projeções para a compra de matérias-primas seguem a mesma tendência. Para 35% das indústrias, o volume de insumos adquiridos deve aumentar no próximo semestre. Outros 52% pretendem manter o ritmo atual de compras, enquanto 13% esperam reduzir as aquisições.
No mercado de trabalho, a tendência predominante é de estabilidade. Cerca de 64% das empresas planejam manter o número de funcionários, 24% consideram ampliar o quadro e 13% projetam cortes.
Apesar do avanço na confiança, a intenção de investimento apresentou recuo em outubro. O indicador ficou em 52,3 pontos, queda de 2,6 pontos em relação ao mês anterior. Ainda assim, metade das empresas consultadas informou que pretende realizar investimentos nos próximos seis meses.
Os resultados refletem expectativas mais favoráveis após um período de estabilidade na produção industrial. Em setembro, 53% das empresas mantiveram o nível produtivo registrado em agosto, enquanto 14% ampliaram a produção. Por outro lado, 33% relataram queda.
Mesmo com a melhora das perspectivas, a indústria sul-mato-grossense ainda enfrenta obstáculos. A utilização média da capacidade instalada ficou em 64% em setembro, o menor índice para o mês nos últimos dez anos.
Outro fator de preocupação é o custo dos insumos. No terceiro trimestre, 57% das empresas relataram aumento nos preços das matérias-primas, enquanto 30% apontaram dificuldades para conseguir crédito.
A falta ou o alto custo das matérias-primas foi indicada como a principal dificuldade enfrentada pelo setor. Na sequência, aparecem a elevada carga tributária, os juros altos, a concorrência desleal e a inadimplência dos clientes.
As projeções para a economia de Mato Grosso do Sul e do Brasil também contribuíram para a recuperação da confiança industrial.
Em relação ao cenário estadual, 29% dos empresários esperam melhora nos próximos seis meses, enquanto 49% acreditam que a situação permanecerá estável. Sobre a economia brasileira, 31% projetam avanços e 39% esperam manutenção das condições atuais.
A pesquisa reuniu 29 pequenas empresas, 23 médias e seis grandes indústrias de diferentes segmentos, incluindo alimentos, produtos de metal, têxteis, biocombustíveis, madeira, produtos químicos, máquinas e equipamentos, vestuário, calçados e produtos farmacêuticos.
Os resultados indicam que, embora os empresários estejam mais otimistas em relação ao futuro, os custos de produção, as condições de crédito e o nível de utilização da capacidade instalada continuam pressionando a atividade industrial no Estado.

