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Influenciador Lito Sousa morre aos 59 anos após batalha contra doença rara
Criador do canal Aviões e Músicas, mecânico e especialista em segurança aérea fez do conhecimento em conteúdo
| JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS
O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, de 59 anos, morreu nesta quinta-feira (1º), após enfrentar uma rápida evolução da doença de Creutzfeldt-Jakob, enfermidade neurodegenerativa rara e sem tratamento capaz de interromper sua progressão. A morte foi comunicada pela esposa, Mila Seidl, nas redes sociais.
Em uma publicação acompanhada de imagens e vídeos da trajetória do casal, Mila se despediu do marido e falou sobre a perda. “O grande comandante decidiu levá-lo para perto dele, para perto dos seus pais e do seu irmão Geraldo', disse. “Eu não sei explicar a sua partida. Talvez ninguém saiba. Mas olhando pra vida que você viveu, eu sei que você cumpriu a sua missão', acrescentou.
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Em outra homenagem, publicada em vídeo com momentos vividos ao lado de Lito, inclusive com o filho do casal, Mila escreveu: “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você'.
A morte encerra uma trajetória de mais de três décadas dedicada à aviação e de mais de 15 anos de produção de conteúdo na internet. Lito ficou conhecido nacionalmente ao transformar assuntos técnicos, procedimentos de segurança e histórias da aviação em explicações acessíveis ao público.
Dos hangares à internet - Nascido em Natal (RN), em 1967, Joselito Geraldo de Sousa, conhecido como Lito Sousa, construiu a carreira dentro da aviação. Começou a trabalhar na área ainda jovem e passou por empresas como Varig, Transbrasil e United Airlines. Ao longo de mais de 37 anos de experiência no setor, atuou como mecânico de aeronaves, supervisor e especialista em segurança aérea e fatores humanos. Também se tornou piloto privado.
A experiência acumulada nos hangares acabou dando origem ao projeto que o tornaria conhecido fora do meio aeronáutico. Em 2004, Lito criou o blog Aviões e Músicas, inicialmente para compartilhar informações e conhecimentos sobre o setor. O projeto chegou ao YouTube em 2010 e ganhou dimensão nacional ao abordar temas como funcionamento de aeronaves, manutenção, turbulência, segurança de voo e acidentes aéreos.
O canal cresceu especialmente durante a pandemia e se tornou uma das maiores plataformas brasileiras de conteúdo especializado em aviação. Em 2026, reunia mais de 3,7 milhões de inscritos no YouTube, além de milhões de seguidores em outras redes.
A proposta de Lito era explicar assuntos que normalmente ficavam restritos aos profissionais do setor. O conteúdo também ganhou espaço entre passageiros que tinham medo de voar, uma das áreas às quais ele passou a dedicar parte do trabalho.
Segundo informações divulgadas pelos canais ligados ao próprio projeto, sua metodologia para combater o medo de voar havia ajudado milhares de pessoas. Lito também se tornou palestrante e passou a atuar na formação de profissionais da aviação.
Diagnóstico veio após problemas de saúde - A doença que interrompeu a trajetória de Lito foi descoberta em 2026, depois de uma sequência de problemas de saúde.
Antes do diagnóstico da DCJ, ele havia descoberto um câncer de próstata e se preparava para tratar a doença. Nesse período, começou a apresentar sintomas neurológicos que inicialmente levaram os médicos a investigar outras possibilidades, incluindo uma condição autoimune.
Entre os primeiros sinais estavam perda de movimentos e coordenação, inicialmente percebidos principalmente no braço e na mão esquerda. O quadro evoluiu rapidamente e também afetou sua visão e sua capacidade de locomoção.
Após uma série de exames, veio a confirmação da doença de Creutzfeldt-Jakob, conhecida pela sigla DCJ. O diagnóstico foi tornado público por Mila em agosto.
A enfermidade é uma doença priônica rara e neurodegenerativa. Ela provoca a deterioração progressiva do sistema nervoso e pode comprometer movimentos, visão, fala, memória e outras funções. Não havia, até então, tratamento comprovado capaz de interromper ou reverter a evolução da doença.
Lito decidiu falar sobre a própria doença - Mesmo diante do diagnóstico, Lito optou por falar publicamente sobre o que estava acontecendo. Em agosto, gravou um vídeo ao lado de Mila no dia em que recebeu a confirmação da doença.
A gravação foi publicada posteriormente porque, segundo a esposa, ela não conseguia assistir ao material diante da carga emocional do momento.
No vídeo, Lito falou sobre a possibilidade de morrer e sobre a preocupação com a mulher e o filho. Também afirmou que não tinha medo da morte porque considerava ter vivido uma vida boa.
“Eu não tenho medo de morrer. Não tenho porque eu vivi uma vida boa, uma vida que eu nunca fiz mal pra ninguém', afirmou.
O filho, que tinha 7 anos à época, era uma das principais preocupações de Lito. Ele disse que gostaria de ter mais tempo para acompanhar o crescimento da criança e brincar com ela.
Ao falar sobre o próprio trabalho, também demonstrou preocupação com a continuidade do Aviões e Músicas e da escola criada pelo casal.
No fim da gravação, manteve a despedida que se tornou sua marca registrada ao longo dos anos: “Um grande abraço e até o próximo voo'.
Família buscou tratamento experimental - Depois do diagnóstico, Mila iniciou uma mobilização para tentar encontrar alternativas diante da ausência de tratamento comprovado para a DCJ.
A família buscou a inclusão de Lito em estudos experimentais no exterior, incluindo pesquisas nos Estados Unidos. Em determinado momento, porém, as possibilidades encontradas não tinham vagas disponíveis ou não permitiam o uso compassivo dos medicamentos.
O caso ganhou repercussão nacional e mobilizou pesquisadores, profissionais da aviação, seguidores e instituições. O Ministério da Saúde também informou que fazia contatos com universidades internacionais para tentar viabilizar uma possibilidade de tratamento experimental.
Em setembro, a Anvisa autorizou a importação e o uso excepcional do ALN-6457, medicamento experimental desenvolvido pela Regeneron Pharmaceuticals. O pedido foi apresentado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, onde Lito era acompanhado, depois de ele ser aceito em um programa de uso compassivo.
A autorização, contudo, não significava que a eficácia do medicamento estivesse comprovada. A substância ainda estava em fase pré-clínica, sem estudos clínicos concluídos que demonstrassem sua eficácia contra a doença de Creutzfeldt-Jakob.
Nos últimos meses, a família também precisou lidar com a progressão do quadro e com a rotina de cuidados. Lito chegou a deixar o hospital no início de setembro e passou a receber atendimento em casa, em uma estrutura adaptada para suas necessidades.
Poucas semanas antes da morte, Mila chegou a desmentir informações falsas sobre uma suposta melhora do marido. Segundo ela, o quadro permanecia grave.