Policiais de SP podem ter conexão com esquema de desvio de drogas de MS

Investigação aponta que traficante do Estado mantinha articulação com agentes paulistas

| LUCIA MOREL / CAMPO GRANDE NEWS


Frames de vídeo recebidos por Lucas, 'LK' em que policial paulista movimenta tabletes de maconha apreendidas. (Foto: Reprodução)

A Operação Infiltrados, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), sobre o suposto desvio de drogas apreendidas por policiais em Mato Grosso do Sul aponta que a atuação de Lucas da Silva dos Santos, o “LK' pode ter conexões com policiais de São Paulo.

Segundo o Ministério Público, LK era apontado como o elo entre traficantes e agentes públicos corrompidos. A investigação afirma que ele fornecia informações sobre carregamentos de drogas que seriam interceptados, negociava percentuais dos entorpecentes que seriam desviados e administrava a venda do material que retornaria ao mercado ilegal.

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Ao analisarem uma apreensão de carga de entorpecente que saiu de Ponta Porã, em maio de 2025, efetuada por policiais paulistas na cidade de Regente Feijó (SP), os investigadores constataram que vídeos de um militar fazendo a separação de tabletes de maconha, que somaram 601 kg, estavam no repositório de mensagens do celular de Lucas.

'Foi localizado, (...) arquivo de vídeo, com indicativos de encaminhamento à LUCAS SANTOS a partir do aplicativo de mensagens WhatsApp no dia 28 de maio de 2025, ou seja, exatamente na data de apreensão dos entorpecentes; o que levanta questionamento sobre por qual meio ele teria sido tão celeremente informado sobre o episódio', destaca a investigação.

O transporte da droga havia sido planejado antecipadamente por LK com traficante conhecido como 'Gordinho', o Maicon Igo Barbosa Moreira, líder da organização criminosa investigada na Operação Traquetos, também do Gaeco. O caminhão interceptado pela polícia de São Paulo era dele e o entorpecente negociado era cocaína. A apreensão, entretanto, foi de maconha.

Sobre o caso, Lucas tinha arquivado boletim de ocorrência, além do vídeo da apreensão, o que leva o Gaeco a acreditar que 'a organização criminosa tinha aliados no Estado de São Paulo capazes de interceptar cargas de drogas para posterior desvio em benefício da organização criminosa'.

Para os investigadores, apesar dessa situação não ter sido explorada neste momento, 'não se descarta que a abordagem no Estado de São Paulo tenha sido coordenada com a organização criminosa, até mesmo para desviar a cocaína que era transportada no caminhão (sobre a qual não existe registro de apreensão).'

Conversas entre Lucas e outro integrante da organização,  Eberthe Batista de Almeida, indicam que a carga de cocaína foi liberada e apenas a maconha foi apreendida.

Segundo a investigação, o grupo pretendia abordar um veículo com drogas, retirar a maior parte do entorpecente e apresentar apenas uma pequena quantidade à delegacia. Para evitar suspeitas, os envolvidos ainda usariam outro veículo com material falso (“fake') para simular uma apreensão regular em São Paulo e justificar a diferença da carga. O lucro da droga desviada seria dividido entre os participantes do esquema.

Operação - Conforme o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), as apurações que desembocaram na Operação Infiltrados começaram em outubro de 2025, a partir de descobertas feitas nas operações Traquetos e Blindspot. A força-tarefa saiu às ruas de Campo Grande, Dourados e Terenos para cumprir 24 mandados de prisão e 38 mandados de busca e apreensão.

A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) informou que todos os servidores afastados responderão a processos administrativos disciplinares na Corregedoria, que podem culminar na demissão do serviço público, independentemente do andamento das ações penais na Justiça.

Em nota, a pasta também afirmou que os servidores já eram monitorados e investigados internamente, inclusive o ex-policial Paulo Augusto Torres Galvão Florindo, demitido em agosto após prisão por envolvimento em esquema de desvio de muambas. Conhecido como 'Paraíba', ele acabou absolvido pela Justiça Federal, mas foi alvo da operação do Gaeco.

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