SAF do Boavista se oferece para pagar transfer bans da Ponte e emprestar jogadores

Conversas entre as partes estão em andamento; situação precisa ser definida o quanto antes, já que a janela de transferências fecha na sexta-feira (11)

| GLOBOESPORTE.COM / HEITOR ESMERIZ E JúLIO NASCIMENTO


Estádio Moisés Lucarelli, casa da Ponte Preta — Foto: Marcos Ribolli/ PontePress

Em meio à grave crise financeira que a Ponte Preta atravessa, a SAF do Boavista se ofereceu para ajudar o clube campineiro a tentar solucionar parte dos problemas que enfrenta.

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A oferta envolve um aporte financeiro para pagar os transfer bans (três, sendo dois na Fifa e um na CNRD - Comissão Nacional de Resolução de Disputas), no valor total de aproximadamente R$ 2,5 milhões, e também o empréstimo de jogadores para a reta final da Série B do Brasileiro.

A ideia partiu de Marcelo Pedroza, um dos presidentes das SAF do Boavista - com residência em Paulínia, na região de Campinas, ele é um dos investidores da empresa Arte da Bola, que comprou 80% das ações do clube de Saquarema em novembro de 2024. As conversas começaram no fim da semana passada e avançaram na última terça-feira.

Como a janela de transferências da CBF fecha na sexta-feira, dia 11 de setembro, a situação precisa ser resolvida o quanto antes. A Ponte só poderá inscrever novos atletas se derrubar as punições a tempo, mas não tem recursos próprios para isso.

Do outro lado, a parceria é vista pelo Boavista como uma oportunidade de dar maior visibilidade aos atletas disputando a Série B do Brasileiro. Chegariam de seis a dez jogadores ao Majestoso.

As partes ainda discutem as contrapartidas da parceria, como, por exemplo, se a Ponte pagará o valor como se fosse um empréstimo ou com a participação em eventuais negociações de jogadores formados pelo clube.

O técnico Gilson Kleina também teve participação nas conversas. O treinador trabalhou no Boavista no início da temporada e ajudou a intermediar o contato entre as partes.

Mesmo com o rebaixamento da Ponte praticamente decretado, a comissão técnica da Ponte espera terminar a Série B de forma digna, com mais opções no elenco profissional para as últimas rodadas.

A Ponte perdeu 19 jogadores ao longo da competição por causa da crise financeira e tem trabalhado com um grupo bastante reduzido. Contra o América-MG, há duas rodadas, a Ponte precisou recorrer à base para evitar um W.O. diante da paralisação dos jogadores do elenco profissional e entrou em campo com um time totalmente composto por jovens formados no clube.

Possível ajuda nos salários

Além do pagamento das pendências que resultaram nos transfer bans, a Ponte estuda com o Boavista uma composição que permita destinar uma parcela dos recursos para pagar uma parte doa dívida com elenco, outros profissionais do futebol e também funcionários (mas apenas uma pequena quantia diante dos recorrentes atrasos salariais). Esse ponto, porém, ainda não está definido.

Quando anunciaram a paralisação, os atletas afirmaram que alguns jogadores estavam há seis meses sem receber. O ge apurou que, em casos específicos de jogadores e integrantes do departamento de futebol, os atrasos chegam perto de um ano.

Após a derrota para o São Bernardo no último domingo, por 2 a 0, no Majestoso, o volante André Lima e o latera-esquerdo Danilo Barcelos fizeram um forte desabafo, com um apelo público por ajuda, principalmente aos funcionários que têm salários menores.

- A situação é crítica, precisamos de socorro o mais rápido possível. Só Deus sabe como a gente está levando um dia após o outro aqui dentro. Não sei até onde a gente vai. É a primeira vez que acontece algo do tipo. Tem funcionário que não aguenta passar mais um ou dois dias. Precisamos resolver o mais rápido possível. Quem tem poder para mudar isso que resolva o mais rápido possível - disse Barcelos.



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