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Visconde feito de recicláveis ganha vida e leva prêmio em feira de robótica
Robô com Arduino, sensores e olhos de LED ajudou a equipe de Coxim a chegar ao pódio da OBR
| GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS
Para muita gente, Visconde de Sabugosa é o sabugo de milho inteligente que vive entre livros no Sítio do Pica-pau Amarelo. Para Giovanna Ribeiro Siqueira, Bruna Gomes Talaride, Ana Clara Marcato de Lira e Vitória Nayara Rodrigues Araújo, ele também tem um pouco das quatro. As estudantes de Coxim, a 253 quilômetros de Campo Grande, aprenderam robótica praticamente sozinhas, montaram neste ano um Visconde com materiais recicláveis e eletrônica e levaram o personagem ao terceiro lugar da etapa estadual da OBR (Olimpíada Brasileira de Robótica), na Capital.
A pergunta veio quase automaticamente quando Giovanna contou a história ao Campo Grande News: por que justamente o Visconde? A resposta explica mais sobre as Gygagirls do que o troféu conquistado pela equipe do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), campus Coxim. Assim como o personagem, elas se acostumaram a buscar nos estudos aquilo que ainda não sabiam fazer.
“Porque consideramos ele um símbolo perfeito da ciência, da inteligência e da transformação dentro do Sítio do Picapau Amarelo. Ele é feito de um material simples, assim como nosso robô é feito de materiais recicláveis. Ele sempre estuda sozinho nos desenhos, somente com os livros da biblioteca, e isso representa um pouco de nós, porque aprendemos grande parte sozinhas', conta Giovanna.
Só que o Visconde delas ganhou algumas atualizações que Monteiro Lobato dificilmente imaginaria. O sabugo virou robô, recebeu sensores, Arduino, Micro e olhos iluminados por LED. Em vez de aparecer sozinho, entrou em cena numa história também inventada pelas meninas.
A peça ganhou o nome de “O caos de pano no Sítio' e trouxe até personagem nova para a turma. A Emília do Avesso passa a história tentando apagar o brilho da Emília conhecida pelo público, enquanto Dona Aranha e Cuca completam o roteiro. No meio da confusão, o Visconde de material reciclável representa a mistura de literatura e tecnologia que o grupo queria levar ao palco.
Para fazer tudo funcionar, não apareceu nenhum especialista de fora com respostas prontas. Giovanna assumiu o Arduino e os sensores, enquanto Bruna ficou com o Micro e as luzes dos olhos do robô. Ana Clara e Vitória cuidaram de transformar as ideias em cenário e figurinos feitos à mão.
“Tudo o que construímos foi fruto de um aprendizado do zero, sem nenhum auxílio profissional de fora. Cada linha de código, a programação do tempo, a montagem do robô, os figurinos e o cenário interativo e que cuida do meio ambiente foram pensados e feitos pelas nossas próprias mãos com muita dedicação. Nossa equipe é formada por mim, Bruna, Ana Clara e Vitória', relata Giovanna.
Antes de o Visconde viajar até Campo Grande, a invenção já havia rendido às quatro estudantes o primeiro lugar na etapa regional, em Coxim. Na disputa estadual, o grupo também conseguiu a maior pontuação na entrevista com os jurados e terminou, segundo Giovanna, a um ponto e alguns milésimos da primeira colocação. Foi o segundo ano seguido das Gygagirls no terceiro lugar da fase estadual.
Agora, ninguém pensa em aposentar o Visconde de sucata numa prateleira da escola. As meninas querem aperfeiçoar o projeto e sonham com uma vaga na etapa nacional, normalmente destinada aos primeiros colocados. “É um projeto que pretendemos evoluir e aprimorar, mostrando que podemos unir cultura, robótica e educação de uma forma criativa e divertida', diz Giovanna.
Chegar tão perto dos primeiros lugares fez o plano parecer menos distante para o quarteto. O resultado virou também uma forma de mostrar o que pode sair de Coxim quando quatro estudantes resolvem aprender algo que ainda não sabem. “Lutamos por visibilidade para mostrar que quatro meninas do interior de Mato Grosso do Sul são capazes de ir muito longe', resume Giovanna.