Defesa de médico réu por feminicídio chama laudos de “amadores”

Advogado afirma que João Jazbik Neto é inocente e contesta conclusões sobre a morte de Fabíola Marcotti

| ANAHI ZURUTUZA / CAMPO GRANDE NEWS


Polícia recolhendo armas e objetos no local onde Fabíola Marcotti foi encontrada morta (Foto: Campo Grande News/Arquivo)

A defesa do médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, reagiu nesta terça-feira (25) ao recebimento da denúncia que o tornou réu pelo feminicídio da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos. Em nota, o advogado José Belga Trad classificou como “precários' e “até mesmo amadores' os laudos periciais usados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul para sustentar a acusação.

Fabíola foi encontrada morta em 18 de maio, na chácara onde morava com o médico, em Campo Grande. João relatou inicialmente que a companheira havia cometido suicídio, mas a Polícia Civil concluiu, após 95 dias de investigação, que ela foi assassinada.

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Nesta segunda-feira (24), o MPMS apresentou denúncia por feminicídio, violência psicológica contra a mulher, posse irregular de armas e fraude processual. A acusação foi recebida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, e João passou formalmente à condição de réu.

Na manifestação divulgada após a decisão, a defesa afirmou que apresentará resposta dentro do prazo legal e fará “severas contestações' aos exames. Segundo o advogado, os laudos apresentam interpretações e conclusões “distorcidas e fantasiosas'. “A defesa afirma e reafirma a inocência do seu cliente e repudia qualquer tentativa de imposição sumária de pena', declarou José Trad.

A nota também critica o que chama de condenação antecipada pela opinião pública. Para a defesa, o recebimento da denúncia não significa que o médico seja culpado, mas apenas abre a fase na qual os argumentos e as provas da acusação serão confrontados judicialmente.

O advogado também classificou qualquer julgamento anterior ao encerramento do processo como “prejulgamento' ou “tentativa de justiçamento'.

A defesa ainda repudiou a divulgação de imagens e informações consideradas sensíveis do processo. “Por fim, a defesa repudia a divulgação de imagens e informações processuais sensíveis neste momento processual, enfatizando que ninguém, absolutamente ninguém, faz justiça à memória da Fabíola ou contribui para o combate à violência contra a mulher, tentando condenar sumariamente uma pessoa inocente ao descrédito social, antes mesmo de que ela tenha o direito de ser julgada', avalia José Trad.

Acusação – Segundo a denúncia apresentada pelo MPMS e recebida pela Justiça, Fabíola teria sofrido sucessivos golpes na cabeça com um objeto ainda não identificado antes de ser atingida pelo disparo fatal.

A acusação sustenta que a fisioterapeuta caiu de joelhos após o primeiro golpe, foi novamente atingida e teve sua capacidade de defesa reduzida. O laudo necroscópico apontou traumatismo cranioencefálico provocado por projétil de arma de fogo como causa da morte.

O MPMS também acusa João de orientar funcionários a retirar do cômodo uma estante com armas e munições antes da chegada da polícia. Dois empregados do médico foram denunciados por fraude processual.

João permanece em liberdade por decisão do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). O Ministério Público tenta restabelecer a prisão preventiva, mas o recurso ainda aguarda análise. Com o recebimento da denúncia, o processo entra na fase de produção de provas e depoimentos. Ao final dessa etapa, a Justiça decidirá se o médico será levado a júri popular.



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