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Médico não precisa se vestir como CEO
A roupa para o trabalho precisa, antes de tudo, comunicar a profissão e o contexto em que ela está inserida
| LARISSA ALMEIDA(*) / CAMPO GRANDE NEWS
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Existe hoje uma certa obsessão em transformar qualquer profissional em uma caricatura de “executivo de sucesso'. E, quando isso chega à área médica, em que a imagem é importante, mas a competência deve estar acima de tudo, é de se preocupar.
Médico não precisa transformar o consultório em uma sala de reuniões de uma grande multinacional. Terno da última moda, gravata sofisticada, abotoaduras, sapato excessivamente formal e todos os códigos visuais associados ao universo corporativo podem ser perfeitamente adequados em determinadas situações, mas não são necessários no dia a dia de atendimento.
Da mesma forma, não é adequado abrir mão do jaleco ou simplesmente transformá-lo em uma peça fashion . Os extremos são perigosos: já vi médico perder pacientes porque vai de jeans, polo e sapato desgastado atender, assim como já vi outros perderem credibilidade justamente porque estão preocupados em demasia com estilo, inclusive usando jalecos modernos demais para a profissão.
O jaleco não é simplesmente uma peça de roupa. Para o médico, ele também exerce funções de identificação e proteção. Por isso, existe uma diferença importante entre modernizar um uniforme e descaracterizá-lo.
Modernizar pode significar escolher um bom tecido, melhorar o conforto, investir em tecnologia, mobilidade, acabamento e caimento. Descaracterizar é fazer com que o uniforme deixe de conversar com os códigos visuais da profissão para acompanhar tendências de moda.
Autoridade não está na quantidade de elementos que uma pessoa veste, mas na coerência entre quem ela é, o que faz e a imagem que transmite.
Um médico pode estar extremamente bem-vestido sem parecer um executivo a caminho de uma reunião de negócios.
Existem códigos visuais importantes em cada profissão. Conhecê-los não significa ser antiquado, significa entender que imagem também é linguagem.
Para quem atende em consultório, uma boa camisa social, calça de alfaiataria, sapato de couro e um jaleco de bom tecido e bom corte são suficientes para construir uma imagem elegante, segura e profissional.
O jaleco não precisa ter ombreiras, cintura marcada como um blazer ou detalhes que o transformem em uma peça de passarela. A elegância também está na simplicidade, no caimento e na adequação e a autoridade deve estar no conhecimento, na postura e na forma como conduz o atendimento médico.
O bom profissional não precisa usar a roupa para parecer mais importante. A roupa precisa ajudá-lo a parecer exatamente aquilo que ele é.
(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.