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Seu relacionamento é seguro? Teste anônimo em aplicativo indica sinais de abuso
Plataforma Be Safe Mulher funciona como questionário de risco e já registra cerca de 600 acessos semanais
| MAURíCIO AGUIAR / CAMPO GRANDE NEWS
Na maioria dos casos de violência doméstica, a polícia só é acionada quando a situação já atingiu níveis críticos. Para mudar essa realidade e interromper o ciclo de abusos antes da primeira agressão física, a policial civil Priscila Guimarães idealizou o aplicativo Be Safe Mulher. A plataforma funciona como um canal de conscientização e diagnóstico precoce para ajudar mulheres a identificarem relacionamentos abusivos.
Natural de Paranaíba, a policial Priscila Guimarães é servidora da Polícia Civil de São Paulo e atua na Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Fé do Sul, a 18 km da divisa com Mato Grosso do Sul. Ela conta que sua vivência prática no atendimento diário às vítimas motivou a criação de uma ferramenta capaz de ajudar as mulheres a identificarem os sinais da violência antes mesmo de a agressão física ocorrer.
O aplicativo visa diagnosticar comportamentos iniciais que frequentemente são normalizados pelas mulheres no dia a dia, como controle exagerado, ameaças, humilhações, perseguição, isolamento e violência psicológica.
'A intenção do aplicativo é chegar à mulher antes mesmo da delegacia, antes da agressão física e antes que a violência chegue a um desfecho mais grave. A informação também é uma forma de proteção', destaca a idealizadora do projeto.
Como funciona - Pensada para ser simples e acessível a todas as mulheres, independentemente do grau de conhecimento jurídico, a plataforma descomplica um tema complexo ao utilizar ilustrações e recursos visuais. As imagens ajudam as usuárias a identificar de maneira clara cada tipo de conduta abusiva
“A primeira etapa foi pensar justamente no que seria mais fácil e mais útil para quem está vivendo uma situação de violência: não apenas informações sobre a Lei Maria da Penha, mas uma ferramenta que ajudasse a mulher a olhar para a própria realidade e identificar os sinais de risco', explica Priscila.
Na prática, a usuária responde a 25 perguntas objetivas com 'sim' ou 'não' sobre situações do cotidiano a dois. Como cada conduta relatada possui um grau de risco específico, o sistema faz a soma automática e gera um diagnóstico com o nível de gravidade daquela relação (de moderado a grave).
Entre as perguntas do teste, estão:
“Seu parceiro(a) frequentemente grita com você, mesmo por pequenas coisas?'
“Ele já tentou te controlar impedindo você de estudar, trabalhar e realizar outras atividades?'
“Você se sente 'presa' ao relacionamento, pois tem medo do que ele pode fazer caso você termine?'
Se for identificado risco moderado ou grave, a plataforma exibe imediatamente um botão de emergência 24 horas, que direciona a mulher para canais de apoio como a Central de Atendimento à Mulher (180), Polícia Militar (190), Direitos Humanos (100) e suporte de prevenção ao suicídio.
Acesso - Por estar hospedado na web, no endereço https://app.defesadamulher.com.br/, o aplicativo não exige instalação em lojas virtuais e pode ser acessado de qualquer lugar do Brasil.
A privacidade é mantida de forma absoluta: a ferramenta é 100% anônima. A desenvolvedora não possui acesso aos dados pessoais nem aos resultados individuais dos testes. O único indicador monitorado é o volume global de acessos, que já chega a cerca de 600 testes realizados por semana.
Apesar do papel informativo e preventivo, Priscila reforça que o aplicativo funciona como um reforço na rede de proteção, sem substituir o atendimento presencial especializado. “O aplicativo não substitui o trabalho da Polícia, o atendimento psicológico ou o Poder Judiciário. Ele é uma ferramenta de informação e prevenção', pontua.
Articulação - A proposta para o futuro do Be Safe Mulher é expandir o seu alcance e incorporar novas funcionalidades. O objetivo é aproximar o projeto de instituições de ensino, universidades e órgãos públicos especializados no combate à violência de gênero.
“Quanto maior for essa rede, maior vai ser a possibilidade de fazer com que a informação chegue justamente a quem precisa. Se a gente conseguir fazer com que uma mulher reconheça os sinais da violência mais cedo e interrompa o ciclo antes que ele se torne mais grave, o projeto já terá cumprido sua missão', finaliza.
A Central 180 funciona 24 horas, de graça, e a ligação pode ser anônima. Em caso de emergência, procure a polícia pelo 190. Violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa não pode ser silenciada.