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Nova crise ameaça continuidade de Infantino como presidente da Fifa, diz TV inglesa
Tentativa de vender ações para investidores enfureceu dirigentes ao redor do mundo, segundo reportagem da "Sky Sports"
| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
A crise aberta pelo projeto de venda da organização de competições da Fifa a investidores privados minou a confiança de dirigentes ao redor do mundo em Gianni Infantino.
Os primeiros impactos negativos da proposta de Infantino vieram da Uefa e da Concacaf, que rejeitaram de imediato a ideia.
Eleito em 2016, Infantino foi aclamado nas duas reeleições (2019 e 2023), mas deve enfrentar mais dificuldade na busca pelo quarto mandato, em 2027
A crise aberta pelo projeto de venda da organização de competições da Fifa a investidores privados minou a confiança de dirigentes ao redor do mundo na permanência de Gianni Infantino na presidência da entidade, segundo informa reportagem da "Sky Sports", da Inglaterra.
Os primeiros impactos negativos da proposta de Infantino vieram da Uefa e da Concacaf, que rejeitaram de imediato a ideia. A associação europeia foi além e anunciou um boicote das suas 55 seleções à Copa do Mundo caso Infantino insista no projeto.
Somadas, Uefa e Concacaf representam 96 associações nacionais filiadas à Fifa, 43% dos 211 membros da entidade presidida por Infantino. A Fifa deu o prazo de 19 de setembro para as associações nacionais votarem sobre a aprovação ou não da criação do fundo de investimento privado.
A Confederação Asiática de Futebol não se posicionou oficialmente, mas teceu duras críticas à proposta em nota oficial. As confederações da África e da Oceania marcaram reuniões extraordinárias para debater o assunto. A Conmebol ainda não se manifestou oficialmente.
Ainda segundo a "Sky Sports", aumenta a "crença de que Infantino não conseguirá sobreviver a esta última controvérsia, com uma revolta aberta contra a Fifa entre os seus membros".
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Escândalo derrubou antecessor de Infantino
A reportagem, porém, esclarece que não existe um processo claro sobre como essa insatisfação poderia resultar na saída de Infantino do cargo. Seu antecessor, Joseph Blatter, antecipou sua saída devido à crise do Fifagate - um escândalo de corrupção que levou diversos presidentes de federações nacionais à cadeia. Blatter convocou em 2016 um congresso extraordinário da Fifa, que elegeu Infantino como seu sucessor.
O atual presidente da Fifa foi reeleito por aclamação em 2019 e 2023, e seu atual mandato tem duração até 2027, quando deverá enfrentar pela primeira vez dificuldades para se manter na presidência.
Infantino vem enfrentando críticas desde a preparação da Copa do Mundo, com decisões controversas como a criação do Prêmio da Paz da Fifa. entregue ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Outro momento de tensão ocorreu durante o Mundial, quando Trump recorreu à Fifa para retirar a suspensão automática do atacante americano Folarin Balogun, que foi liberado para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final, mesmo tendo recebido um cartão vermelho contra a Bósnia e Herzegovina no jogo anterior, pela segunda fase.
Boicote pode afetar a Copa do Mundo
Até o momento, a Uefa foi a federação continental a apresentar as mais duras críticas aos planos de Infantino, com a promessa de um boicote a qualquer competição da Fifa se a proposta for aprovada.
O boicote prejudicaria, por exemplo, a Copa do Mundo Feminina 2027, que será realizada no meio do ano que vem no Brasil.
A proposta da Fifa foi anunciada na última terça. A ideia é criar uma empresa privada, que opere a comercialização e organização de todas as competições da entidade.
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A Uefa foi uma das primeiras organizações a se posicionar contra e recebeu apoio da Concacaf - confederação da América do Norte, Central e Caribe - e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Essas três entidades representam 143 dos 211 membros da Fifa, ampla maioria.
A Fifa divulgou um vídeo na quarta com Infantino dando seus argumentos para a proposta de venda das ações. O presidente da entidade afirmou que a ideia passará por uma votação com todas as associações-membro e pelo conselho da organização.
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Infantino também disse que a venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares. A Fifa espera arrecadar 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) com o projeto.
Confira parte do nota da Uefa:
"A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma "decisão democrática", mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.
No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo"
Entenda o caso
A empresa a ser criada na proposta é a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da entidade. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações comerciais e as principais competições.
A Fifa acredita que a FFE valeria no total 20 bilhões de dólares (R$ 102,3 bilhões). Por isso, diz que a venda do equivalente a 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) em ações significaria que os investidores privados seriam minoritários na nova empresa.
Com o dinheiro arrecadado, a Fifa promete aumentar a quantia distribuída para a federação de cada país membro da entidade. Atualmente, ela paga R$ 41 milhões para cada país. Se o plano for aprovado, a quantia poderia chegar a R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e 123 milhões até 2038.
Na nota publicada em seu site oficial, a Fifa diz que a injeção de dinheiro privado pode ser decisiva para "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base".