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Após reportagem, deputado cobra capacitação contra preconceito em hospital
Cega desde o nascimento, Monique Lopes relata que só conseguiu acompanhar a bisavó após registrar reclamação
| ÂNGELA KEMPFER / CAMPO GRANDE NEWS
Após reportagem do Campo Grande News sobre a denúncia de uma psicóloga com deficiência visual que relatou ter sido impedida de acompanhar a bisavó internada, o deputado estadual Pedro Kemp (PT) apresentou uma indicação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul cobrando medidas do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul).
O parlamentar pediu que a direção da unidade promova capacitação contínua de servidores e colaboradores para garantir atendimento humanizado e inclusivo a pessoas com deficiência. Segundo Kemp, o episódio demonstra a necessidade de preparar as equipes para cumprir a Lei Brasileira de Inclusão e evitar situações de discriminação no atendimento público de saúde.
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A denúncia foi feita pela psicóloga Monique Lopes Marques, de 27 anos, que relatou ter sido questionada sobre sua capacidade de permanecer como acompanhante da bisavó por ser cega. Segundo ela, ao chegar ao hospital, ouviu de uma funcionária que seria necessário verificar se ela poderia acompanhar a paciente em razão da deficiência visual.
Monique afirmou que só conseguiu acompanhar a familiar após registrar reclamação na Ouvidoria do SUS (Sistema Único de Saúde). A bisavó estava internada com problemas cardíacos e renais e, segundo a psicóloga, enfrentava uma rotina de isolamento antes da autorização para receber a companhia da neta.
Na justificativa do pedido, Kemp afirmou que a deficiência não pode ser utilizada para restringir direitos ou questionar a autonomia das pessoas. O deputado destacou que o atendimento em unidades de saúde deve respeitar a dignidade, a acessibilidade e a igualdade de tratamento.
A indicação prevê treinamentos para profissionais de diferentes setores do hospital, incluindo equipes administrativas, recepção e trabalhadores da saúde. Para Kemp, a formação dos funcionários é uma medida necessária para combater o capacitismo institucional e impedir que outros pacientes e familiares passem por situações semelhantes.
A Lei Brasileira de Inclusão garante que pessoas com deficiência tenham assegurados seus direitos em igualdade de condições, enquanto o Estatuto da Pessoa Idosa prevê o direito de acompanhamento em situações de internação, conforme critérios definidos pelos serviços de saúde.
A SES (Secretaria Estadual de Saúde), responsável pela gestão do Hospital Regional, foi procurada e ainda não informou se adotará as medidas solicitadas pelo parlamentar.