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Em vídeo no hospital, marido queimado diz que esposa não quis matá-lo
Carlitos afirma que Lidiane tentou apagar as chamas e o levou para atendimento
| GABI CENCIARELLI / CAMPO GRANDE NEWS
Pela primeira vez desde o incêndio que o deixou hospitalizado, Carlitos Fioravante Vieira de Oliveira decidiu apresentar publicamente sua versão sobre o caso que levou à prisão da esposa, a médica-veterinária Lidiane Cecília Pereira. Em vídeo enviado ao Campo Grande News, ele afirma que a mulher tentou apagar as chamas, o levou ao hospital e não teve intenção de matá-lo.
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A gravação veio à tona nesta quinta-feira (2), mesmo dia em que o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou Lidiane por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de fogo.
Ao relatar o que aconteceu em 22 de junho, Carlitos confirma que houve uma discussão entre o casal e que a esposa jogou álcool nele e em uma mochila que estava sendo arrumada para uma viagem.
'O que aconteceu no dia que aconteceu o incidente com o fogo, a gente tinha discutido, teve uma discussão e ela tacou o álcool na minha mochila e tacou o álcool em mim', afirma.
Segundo ele, após a discussão, Lidiane saiu para fumar e ele foi conversar com ela do lado de fora da residência.
'E depois ela saiu lá para fora para fumar e eu fui lá conversar com ela. Nesse momento eu não sei o que aconteceu direito, foi tão rápido, porque estava de dia e a gente não enxerga direito o fogo. Eu não lembro se ela foi atacar a bituca e pegou perto do meu pé. Eu sei que, na hora que pegou fogo, eu já saí rolando para apagar', relata.
Na sequência, Carlitos afirma que a esposa também tentou conter as chamas.
'Ela veio tentar apagar também, me ajudou. Ela arrancou a minha blusa que estava pegando fogo e até queimou a mão dela também', diz.
O homem também faz questão de destacar que foi socorrido pela própria esposa logo após o incidente. 'Ela foi a pessoa que me socorreu, que me levou correndo para o hospital. Eu até falei para ela: vai com calma. E ela foi desesperada', conta.
Em outro momento do vídeo, Carlitos explica que decidiu gravar o depoimento porque gostaria que sua versão também fosse considerada pelas autoridades.
'Eu queria deixar a minha palavra. Eu queria poder dar a minha palavra também, a minha versão dos fatos que aconteceram', afirma.
Ele também fala sobre a recuperação e diz que seu estado de saúde melhorou nos últimos dias.'Eu já consigo tomar banho sozinho, fazer as coisas sozinho. Já estou comendo sozinho. Praticamente não tomo medicação para dor', relata.
Ao comentar os reflexos da situação na família, Carlitos afirma que a ausência da esposa tem causado dificuldades para os filhos.
'A família está muito desestruturada sem eu. Ela está longe de casa. Está muito pesado para a nossa filha coordenar todas essas coisas da casa e cuidar do irmão dela sozinha. E o menino é um menino que é muito ligado com a mãe dele', diz.
No trecho final da gravação, ele volta a falar sobre Lidiane e afirma não acreditar que ela tenha tido intenção de matá-lo.
'Eu acho que ela não teve intenção. Dentro dos problemas psiquiátricos que ela tinha, envolvia esses momentos que ela ficava desnorteada. A Lidiane sempre foi uma companheira', declara.
O que a veterinária disse à polícia - As declarações de Carlitos divergem da versão apresentada pela própria Lidiane durante o interrogatório realizado após a prisão.
Na ocasião, a veterinária admitiu ter jogado álcool no marido e acionado um isqueiro durante a discussão. Segundo seu depoimento, a briga era motivada pela suspeita de que o companheiro mantinha um relacionamento extraconjugal em Brasília, cidade onde trabalha desde 2024.
Lidiane afirmou aos investigadores que queria pressionar o marido a admitir uma suposta traição. 'Eu queria que ele me dissesse a verdade', declarou.
Segundo o depoimento, ela pegou um recipiente com álcool na cozinha e retornou ao quarto onde o marido organizava os pertences para viajar. A veterinária afirmou que pretendia atingir a mochila e impedir a viagem, mas acredita que parte do líquido acabou atingindo também a camiseta usada por Carlitos.
Depois, já na garagem da residência, aproximou-se com um cigarro e um isqueiro. 'Eu quis assustar ele com o barulho do isqueiro', afirmou.
Ainda conforme a versão apresentada por ela, ao perceber que o fogo havia atingido o marido, tentou retirar a camiseta e ajudar a apagar as chamas. Lidiane também negou ter desejado a morte do companheiro.
'Eu não queria ter feito isso. Não era minha intenção machucar ele', disse à polícia.
Defesa questiona depoimento inicial - Em nota, os advogados Kamila da Silva Boeno, Jonatas Giovane de Paula dos Reis e Herika Cristina dos Santos Ratto afirmam que o vídeo gravado por Carlitos já foi encaminhado à Polícia Civil com pedido para ser anexado aos autos e acompanhado de requerimento para que a vítima seja ouvida formalmente.
Segundo a defesa, a gravação representa um elemento novo no processo, já que não existia quando a Justiça analisou a prisão em flagrante e posteriormente manteve a prisão preventiva da veterinária.
'Após recuperar condições de saúde e tomar conhecimento da situação processual da acusada, a vítima decidiu, por iniciativa própria, de forma livre e espontânea, gravar o vídeo', afirmam os advogados.
Os defensores também sustentam que Carlitos não havia sido formalmente ouvido durante a investigação porque permanecia hospitalizado e impossibilitado de prestar esclarecimentos.
A defesa ainda argumenta que o primeiro interrogatório de Lidiane ocorreu poucas horas após os fatos, em um momento de forte abalo emocional diante da gravidade da situação. Segundo os advogados, ela ainda não contava com a assistência da defesa constituída que hoje atua no caso.
Denúncia do MP diverge da conclusão da polícia - Também nesta quinta-feira (2), o MPMS denunciou Lidiane por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de fogo.
Segundo a acusação, a veterinária tentou matar o marido durante uma discussão motivada por ciúmes. O entendimento do Ministério Público difere da conclusão adotada pela Polícia Civil. No relatório final do inquérito, os investigadores apontaram que, embora o caso inicialmente pudesse sugerir uma tentativa de homicídio, a conduta posterior da suspeita indicaria arrependimento eficaz, já que ela teria tentado apagar as chamas, sofrido queimaduras nas mãos e providenciado atendimento médico à vítima.
Apesar disso, a Polícia Civil concluiu pelo indiciamento por tortura. O enquadramento foi baseado na declaração da própria investigada de que buscava obter uma confissão sobre a suposta traição.
Agora, caberá à Justiça analisar a denúncia oferecida pelo Ministério Público e decidir se Lidiane passará à condição de ré no processo.
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