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Análise: Noruega mostra que precisa de pouco para vencer, mas indica brechas para o Brasil
Rival da Seleção nas oitavas consegue classificação com atuação pragmática e Haaland aparecendo no fim. Costa do Marfim aponta possíveis caminhos para o ataque brasileiro
| GLOBOESPORTE.COM / JORGE NATAN
Com uma boa dose de pragmatismo e um gol do herói mais óbvio, a Noruega entrou no caminho do Brasil na Copa do Mundo. E o duelo entre os noruegueses e a Costa do Marfim, nesta terça-feira, em Dallas, indicou perigos para os quais a seleção brasileira precisa estar atenta - mas também brechas que os comandados de Carlo Ancelotti podem explorar.
A arma que fez mais diferença para a Noruega, no fim das contas, foi o faro de gol de Haaland, que marcou o gol da classificação a poucos minutos do fim. A lição que fica para a defesa brasileira é que não adianta neutralizar o camisa 9 durante 86 minutos, como bem fez o time marfinense: é preciso até o apito final.
Para isso, claro, cabe ao sistema de marcação estar atento para não ser envolvido por jogadores que podem gerar perigo, como Oscar Bobb, que entrou no segundo tempo e iniciou a jogada que terminou no gol decisivo de Haaland.
O principal aviso que a Noruega deixa para seu próximo rival é de que não precisa de muita produção ofensiva, e muito menos brilhantismo, para conquistar uma vitória.
Por outro lado, a Costa do Marfim foi eliminada, mas mostrou que há caminhos a serem explorados pela seleção brasileira no próximo domingo: principalmente a habilidade no um contra um, ponto forte de Vini Jr, por exemplo. Utilizar bem as pontas foi o que mais deu trabalho para o sistema defensivo norueguês.
Outro alerta diz respeito a uma possível estratégia de pressão na saída de bola da Noruega: pode não ser um bom negócio. O momento que o time europeu se mostrou mais confortável foi quando esteve em vantagem no placar e viu a Costa do Marfim subir a marcação. Pareceu ser o cenário para o qual os noruegueses desejavam atrair os adversários desde o começo.
Brechas na defesa
A Noruega, no início, ensaiou dominar o jogo através de posse de bola e troca de passes - algo que conseguiu nos primeiros minutos, com uma linha defensiva alta. A Costa do Marfim, porém, não fez questão de disputar a posse naquele momento, mantendo suas linhas bem colocadas e só pressionando a partir do meio de campo.
Os noruegueses faziam o contrário: tentavam uma pressão forte na saída de bola adversária. Isso até dificultou a vida marfinense inicialmente, mas também permitiu que o time africano começasse a explorar uma de suas melhores armas: as jogadas pelas laterais do campo. Assim, aos poucos, o jogo foi se equilibrando.
A Costa do Marfim logo passou a criar suas chances em boas associações pelas pontas. Com Diomandé bem marcado pela esquerda, o escape foi pela direita, com bom trabalho de Gouela Doué e Pepé. Por algumas vezes o roteiro foi igual, gerando perigo: chegada pela lateral da área, tentativa de um contra um e cruzamento no segundo poste.
Assim, os noruegueses viram um cenário não tão favorável, principalmente diante da intenção de controlar a bola, como o técnico havia projetado na véspera. Mal houve espaço para tentar explorar Haaland, encurralado entre os defensores adversários. Com as linhas de passe bem fechadas pelos marfinenses, a Noruega precisou ter mais movimentação - e também explorar mais as pontas.
Aos poucos, Odegaard apareceu e tentou achar espaços em trocas de passes rápidas. Foi assim que, aos 38, Nusa surgiu como arma, na estratégia que vinha sendo efetiva para o ataque marfinense: a habilidade no um contra um. O ponta norueguês recebeu, gingou na frente de Pepé e bateu colocado de forma certeira.
Atuação pragmática e herói óbvio
Naturalmente, a Costa do Marfim partiu para o ataque no começo do segundo tempo. A Noruega mostrou calma e indicou que sabe se defender bem: postou suas linhas, não subiu a marcação e permitiu a troca de passes adversária. Depois, mostrou que não fica desconfortável quando tem a saída de bola pressionada: soube envolver a marcação alta e sair em contra-ataques que não foram bem finalizados.
Do outro lado, a defesa começou a indicar brechas: espaço para finalização de meia distância e associações com passes curtos na área. Aos poucos, o time foi ficando mais recuado e diminuindo os espaços disponíveis. Mas ainda assim houve sufoco.
A estratégia ficou clara: a Noruega queria aguardar a chance de contra-ataque para avançar com espaço e finalizar. Foi assim que veio um escanteio aos 20 e quase saiu o segundo gol, com Heggem vendo sua finalização ser salva em cima da linha por Diallo.
Veio a parada técnica e as primeiras alterações dos noruegueses, mas logo cenário mudou totalmente. E de novo por conta do um contra um marfinense pelas pontas. Uma tabela entre Pepé e Diallo envolveu facilmente a marcação norueguesa, e o jogador do Manchester United empatou o jogo com um drible seco e um chute certeiro.
O empate, claro, deu fim ao pragmatismo norueguês. Novamente os europeus buscaram o ataque e subiram as linhas. A Costa do Marfim, por sua vez, ficou mais conservadora, em um panorama parecido com o do começo da partida. A Noruega viu as laterais como o melhor caminho diante de uma defesa bem fechada dos marfinenses. E conseguiu a vaga nas oitavas de final no roteiro mais "óbvio": um gol decisivo de Haaland.
O camisa 9 passou o jogo praticamente inteiro apagado, encaixotado sempre entre dois ou mais marcadores da Costa do Marfim. As bolas no alto, por exemplo, não foram nada efetivas - ao menos quando tinham Haaland como o alvo. Só que, com espaço e o gol vazio, ele não perde. E assim foi: Berg recebeu bom passe de Bobb, chegou com perigo na área e atraiu três marcadores. Haaland ficou livre e recebeu o passe rasteiro para colocar a Noruega no caminho do Brasil.