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Denunciada por tráfico, mulher tenta entrar com drogas em presídio
Maconha estava no sutiã de Camila Michelli, que entregaria a droga ao marido Breno Alen Zanardo
| ANA PAULA CHUVA E HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS
Denunciada por tráfico de drogas e associação criminosa, Camila Michelli dos Santos Soares foi presa em flagrante na manhã deste domingo (14), ao tentar entrar na PED (Penitenciária Estadual de Dourados) com entorpecentes escondidos no sutiã, para entregar ao marido Breno Alen Zanardo.
A apreensão ocorreu por volta das 9h30, durante o horário de visitação na unidade prisional. De acordo com o boletim de ocorrência registrado por servidores da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), Camila passou pela inspeção de rotina no equipamento de bodyscan. O monitor acusou um relevo irregular na região do peito.
Questionada pelas policiais penais de plantão, Camila inicialmente negou que estivesse carregando algo ilícito. Ela foi submetida a um segundo teste no aparelho, que confirmou a suspeita. Diante da evidência, a visitante admitiu que transportava maconha e haxixe para o companheiro.
Durante a revista, a equipe de segurança localizou 20 gramas de maconha; 60 gramas de haxixe; um recipiente com gel lubrificante e Papel de seda utilizado para a confecção de cigarros.
Após o flagrante deste domingo na PED, os agentes relataram que Camila apresentou comportamento alterado. Ela passou a ofender e a acusar as policiais penais de ameaça durante o procedimento de revista.
O caso foi encaminhado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Dourados (MS). Camila agora deve responder por tráfico de drogas qualificado - pelo fato de a infração ocorrer nas dependências de um estabelecimento prisional - além de desacato.
Associação criminosa
Camila foi denunciada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em novembro de 2022. A investigação, que envolveu interceptações telefônicas e mandados de busca e apreensão,apontou que ela e o marido eram integrantes de uma rede de distribuição de entorpecentes que operava na região de Vicentina e Fátima do Sul.
Segundo o processo, mesmo após a prisão preventiva de Breno em 2021, Camila assumiu o controle da contabilidade do grupo e utilizava uma loja de roupas de fachada para lavar o dinheiro do tráfico. Por esse motivo, ela respondia ao processo sob o regime de prisão domiciliar.
O documento, assinado pelo promotor de Justiça Rodrigo Cintra Franco, expõe como lideranças presas utilizavam uma rede de colaboradores em liberdade, esposas e até comércios de fachada para gerenciar a contabilidade, a logística de transporte e a distribuição de grandes volumes de drogas.
Breno e Camila aparecem no centro do esquema. O homem exercia papel de liderança mesmo estando na PED. Com o uso de celulares introduzidos clandestinamente no estabelecimento prisional, ele orientava de forma diária e minuciosa as ações de Camila em Vicentina.
Camila assumiu o comando operacional das finanças e da cobrança de usuários inadimplentes. Para camuflar o fluxo financeiro decorrente do tráfico de maconha, o casal estruturou um estabelecimento comercial legítimo na própria residência: uma loja de confecções denominada 'Grife Masculina'.
A acusação apontou que a empresa servia como cobertura para disfarçar o tráfego constante de compradores no local e promover a lavagem de capitais ilícitos. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência, os agentes localizaram quantias em dinheiro fracionado, anotações de contabilidade e aparelhos celulares.
O monitoramento telefônico evidenciou que a célula coordenada por Breno e Camila mantinha forte aliança com o casal Alisson Schautz Santos (conhecido como 'Maninho' ou 'Gordinho') e Jeniffer Nogueira da Silva. Alisson controlava pontos de venda em Vicentina e contava com o suporte direto de sua convivente para a pesagem, guarda e entrega dos materiais na sua ausência.
A instrução criminal demonstrou que o grupo também utilizava o apoio de terceiros e de um adolescente para operacionalizar a entrega dos entorpecentes em pontos estratégicos. A estrutura de venda contava com alto grau de modernização mercantil, incluindo a utilização de máquinas de cartão de crédito e débito para o recebimento dos valores das drogas, conforme apreendido pela equipe policial na residência dos investigados. O caso ainda não foi julgado.