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Você limpa as patas do seu cachorro? Erro pode custar caro
Morder os dedos, mancar, evitar apoiar uma das pernas e mau cheiro são alguns dos sinais de alerta
| NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS
Depois do passeio, muita gente limpa o chão, troca o tapete ou até reclama das marcas pela casa. Mas o problema mais sério pode estar grudado onde quase ninguém dá importância: nas patas do cachorro. Deixar que a sujeira se acumule na região pode custar caro e causar até pododermatite, inflamação dolorosa nas patinhas do seu pet.
Quem explica isso é o veterinário Antonio Defanti Júnior. Não só a sujeira, mas também areia, grama e umidade entre os coxins, as famosas “almofadinhas' das patas, criam um ambiente perfeito para a proliferação de fungos e bactérias. A região é sensível, abafada e cheia de pequenos espaços onde resíduos ficam presos. Parece pouco, mas pode virar dor, segundo ele.
O atrito constante desses resíduos com a pele pode provocar pododermatite, uma inflamação dolorosa nas patas. O quadro pode evoluir para infecções bacterianas ou fúngicas mais severas, além de ferimentos causados por pequenos detritos escondidos no pelo, como pedrinhas, espinhos, areia grossa ou fragmentos de grama seca.
O sinal de alerta costuma aparecer no comportamento do animal. Se o cachorro começa a lamber muito as patas, morder os dedos, mancar, evitar apoiar uma das pernas ou apresentar vermelhidão, mau cheiro, inchaço ou secreção, não é “mania'. Pode ser dor, coceira ou infecção. E ignorar esses sinais é o tipo de economia de cuidado que costuma sair caro, para o bolso e para o bicho.
O ponto mais perigoso da higienização diária, segundo veterinário da clínica Bourgelat, não é apenas deixar a pata suja, é deixar a pata úmida. A umidade residual pode ser tão prejudicial quanto a própria sujeira, porque favorece a multiplicação de microrganismos. Em outras palavras, lavar e não secar direito pode trocar um problema por outro.
Para sujeiras leves ou passeios rápidos, lenços umedecidos veterinários podem ajudar. O ideal é escolher opções sem álcool e sem fragrâncias fortes, para reduzir o risco de irritação. Espumas de higienização a seco também são úteis. 'Devem ser aplicadas nas almofadinhas e entre os dedos, com massagem leve, e depois removidas com toalha limpa e seca'.
Quando o passeio envolve lama, areia pesada ou muita sujeira, a lavagem com água morna pode ser necessária. Nesses casos, o recomendado é usar shampoo ou sabonete neutro próprio para cães. Produtos de uso humano, perfumes e receitas caseiras improvisadas não são uma boa ideia.
Depois vem o passo mais importante, a hora de secar. A toalha deve passar também entre os dedos, não apenas por cima da pata. Em cães com pelos longos na região, o secador no modo frio ou morno pode ajudar, desde que usado com cuidado para não assustar o animal nem aquecer demais a pele.
'Outro cuidado importante é a chamada tosa higiênica da região plantar, que remove o excesso de pelos na sola das patas. Isso reduz a retenção de sujeira e umidade, facilita a limpeza e ainda ajuda a evitar escorregões em pisos lisos'.
A pata do cachorro está em contato direto com a rua, com o quintal, com a grama, com a chuva e com tudo o que o tutor nem sempre vê. Cuidar dessa região não é frescura estética. É prevenção básica.
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