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"Não existe nada que dê para pagar a conta só com a tarifa", alerta especialista
Professor defendeu subsídio para melhor qualidade do serviço; três secretários foram convocados para oitiva
| GABRIELA COUTO E KETLEN GOMES / CAMPO GRANDE NEWS
A Câmara Municipal de Campo Grande realizou, nesta terça-feira (2), a 15ª oitiva da CPI do Transporte Coletivo. O convidado foi o professor sênior da Unicamp, Jurandir Fernandes, especialista em transporte público, com ampla experiência na área. Ele já foi secretário de transporte da região metropolitana de São Paulo por dez anos e presidente do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) por dois.
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O início da sessão atrasou cerca de 20 minutos devido à ausência de parte dos vereadores, com exceção do presidente da CPI, vereador Lívio Leite, que chegou no horário.
Durante sua fala, o professor Jurandir destacou que o problema da queda no número de passageiros afeta não só Campo Grande, mas diversas cidades do país. Ele apontou causas como o aumento do home office, ensino a distância, aplicativos de transporte, maior número de veículos particulares e a descentralização dos serviços.
Apesar disso, defendeu que ainda é possível melhorar o transporte público com investimentos em infraestrutura, como corredores de ônibus, além de planejamento urbano integrado.
Jurandir ressaltou a importância do ar-condicionado nos veículos, classificando-o como um investimento, e não luxo. “A pessoa chega melhor ao trabalho, à escola. Isso tem impacto direto na produtividade e na qualidade de vida', disse.
O professor também apresentou exemplos de cidades como Londres e Paris, onde o uso do transporte público foi incentivado com medidas que restringem os automóveis nos centros urbanos. Segundo ele, essas ações devem ser acompanhadas da melhoria efetiva do sistema coletivo.
Ao ser questionado sobre possíveis revisões contratuais, Jurandir afirmou que não é um processo simples, devido a fatores como passivos trabalhistas. Para ele, o melhor caminho seria a busca de mais recursos públicos para subsidiar melhorias no sistema.
Em relação ao uso de vans como alternativa, o especialista foi categórico. “Muitas estão ligadas à lavagem de dinheiro e milícias, não é o caminho'.
Jurandir também criticou a ausência de uma previsão orçamentária nacional dedicada ao transporte público, como ocorre com saúde e educação. “Não existe nada que dê pra pagar a conta só com a tarifa. Então o subsídio é hoje natural', afirmou.
Próximas oitivas - A próxima rodada de oitivas está marcada para a manhã da próxima quarta-feira (9), no Plenário Oliva Enciso. Serão ouvidos:
- Às 9h: Catiana Sabadin Zamarreño, secretária especial de Planejamento e Parcerias Estratégicas da SEGOV;
Às 9h: Catiana Sabadin Zamarreño, secretária especial de Planejamento e Parcerias Estratégicas da SEGOV;
- Às 10h: Andréa Figueiredo, diretora-adjunta da AGETRAN;
Às 10h: Andréa Figueiredo, diretora-adjunta da AGETRAN;
- Às 11h: Ednei Marcelo Miglioli, secretário municipal de Infraestrutura (SISEP).
Às 11h: Ednei Marcelo Miglioli, secretário municipal de Infraestrutura (SISEP).
O objetivo é esclarecer a execução do PAC da Mobilidade e sua relação com o serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus.
Denuncie - A Ouvidoria da CPI do Transporte já recebeu 634 denúncias entre os dias 25 de março e 30 de junho de 2025. A maioria (553) chegou via WhatsApp, além de 32 formulários online, 46 e-mails, duas ligações telefônicas e uma denúncia presencial.
A população pode continuar enviando contribuições pelos seguintes canais:
- WhatsApp: (67) 3316-1514
WhatsApp: (67) 3316-1514
- Formulário no site da Câmara: www.camara.ms.gov.br
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