Com 24 caixas de papelão, mãe realiza sonho do filho autista

Com hiperfoco em caminhões, João Miguel pediu para a mãe replicar peça vista por ele na internet

| CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS


Mãe e filho ao lado do caminhão feito feito a quatro mãos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Entre tantas distrações que a internet oferece para as crianças, João Miguel, de 10 anos, preferiu algo bem diferente. Pediu para a mãe construir um caminhão de papelão igual ao que viu em um vídeo online.

O que ele talvez não soubesse é que esse pedido renderia não só um brinquedo especial, mas um momento inesquecível entre ele e a mãe, Franciele Brito da Silva, de 35 anos. “Na hora aquilo entrou no meu coração. Eu tinha que fazer aquele carrinho', relembra Franciele.

O filho, diagnosticado com autismo aos sete anos, já demonstrava, desde os quatro, traços marcantes como preferência por brincar sozinho, pouco contato visual e um interesse profundo por caminhões. “O pai dele trabalha com caminhão máquina e trator, então desde pequeno ele já era apaixonado', explica.

A paixão cresceu. João passava horas concentrados nos brinquedos. Organizava os caminhõezinhos por cor, tamanho e até passou a montar os próprios veículos com peças de Lego, do jeito dele, sem seguir o manual.

Mas o caminhão do filme Encurralado, feito de papelão, virou objeto de desejo. Foi o próprio João quem encontrou o vídeo no YouTube e mostrou para a mãe. 'Ele me mostrou e disse que queria que eu fizesse pra ele', detalha.

Franciele topou o desafio e partiu em busca dos moldes. Encontrou o criador no Instagram, fez contato, pagou uma pequena taxa e recebeu os moldes. O projeto exigia caixas de papelão grandes, daquelas que vêm com fardos de leite. “Acho que usei umas 24 caixas, porque se errasse no corte, precisava ter sobressalente', lembra.

O trabalho durou cerca de 12 horas, com recortes, ajustes e colagens. “Deu mais trabalho passar o molde para o papelão do que para montar', lembra a mãe. E João participou o tempo todo. Sugeriu onde colar peças, ficou por perto, atento a cada detalhe. “Foi um momento nosso. Uma missão cumprida', avalia.

Quando a miniatura ficou pronta, Franciele colocou o caminhão em cima da mesa e esperou o filho chegar da escola. “Ele ficou encantado. O caminhão tem rodinhas que giram e foi pintado pl João, com as cores que ele escolheu', explica.

Muito além do brinquedo, o projeto trouxe alívio. “Ele ficou mais calmo, mais tranquilo', destaca.

Hoje, quando alguém pergunta sobre o caminhão, João responde orgulhoso que foi feito pela mãe. 'É gratificante demais. Saber que ele vai lembrar desse momento junto comigo pra sempre. Isso não tem preço', finaliza.

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