Fabi Alvim e Alison "Mamute" entram oficialmente para o Hall da Fama do vôlei

Brasileira é a primeira líbero mulher a integrar a maior honraria da modalidade. Ao todo, nove personalidades foram eleitas em 2026, sendo três brasileiras

| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE


Fabi Alvim entra oficialmente para o Hall da Fama — Foto: Camilo Pinheiro Machado

"Nesta noite, celebramos uma líbero cuja carreira serve de inspiração para jovens defensoras". Foi assim que a bicampeã olímpica Fabi Alvim foi anunciada para integrar oficialmente o Hall da Fama do vôlei. A inclusão da líbero aconteceu neste sábado (17) durante cerimônia em Holyoke, no estado americano de Massachusetts, considerado o berço do esporte. Ao lado dela, o campeão olímpico na praia, Alison "Mamute", e o ex-presidente da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), Ary Graça, foram os outros brasileiros homenageados.

Cada homenageado recebeu um anel e uma foto, simbolizando a inclusão na maior honraria da modalidade. Após receber as peças, Fabi iniciou um discurso em que relembrou a infância no bairro de Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e o início da carreira enquanto a posição de líbero surgia em 1998.

- Naquela época, uma menina que escolhia brincar com bola no meio dos meninos causava estranheza. A minha trajetória era, por si só, improvável. O lugar de onde vim, as barreiras que enfrentei pela ausência de padrões a seguir no vôlei, tudo parecia dizer não. Mas, de alguma forma, o improvável virou meu combustível - contou.

Com a disposição para superar as barreiras impostas, Fabi conta que ser líbero formou sua personalidade não somente no aspecto esportivo. Além da seleção brasileira, ela defendeu Macaé, Flamengo, Vasco, Campos e Rio de Janeiro (atualmente chamado de Sesc-Flamengo).

- Ser líbero é aprender na pele o verdadeiro significado do altruísmo. É entender o valor de servir. Em um esporte que vive e respira a contagem de pontos, passei 20 anos sem fazer nenhum e nunca, nem por um segundo, me senti menos importante por isso. Muito do que sou hoje como mãe e como mulher vem dessa vivência. O mundo seria um lugar incrivelmente melhor se todos olhassem a vida sob a perspectiva de servir ao próximo - afirmou, mencionando na sequência a mãe Vera, a esposa Júlia e a filha Maria Luiza.

Na biografia apresentada pelo Hall da Fama, a jogadora que também foi campeã da Superliga em 10 ocasiões, é caracterizada pelo "impacto revolucionário" e influência em diversas gerações da modalidade. No local, ela deixou fotos de momentos marcantes e o uniforme utilizado na campanha do bicampeonato olímpico em Londres 2012.

- Fabi transformou a percepção sobre a posição e demonstrou que títulos podem ser construídos com base em uma defesa incansável, liderança e determinação. (...) Fabi demonstrou o quão profundamente uma jogadora no fundo de quadra pode influenciar o rumo de uma partida - diz o texto.

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- Estar aqui hoje desperta em mim um orgulho e uma honra que mal cabem no meu peito. Olhar para o lado e ver que agora faço parte do mesmo time dos maiores ídolos da minha vida é algo que jamais imaginei. Sendo muito honesta, eu não tinha nem essa pretensão - disse Fabi.

Com esta premiação, a maior honraria do vôlei internacional reverencia a trajetória de 194 personalidades entre jogadores, treinadores, árbitros e líderes de 28 países. Os nove homenageados deste ano foram divulgados em maio a partir de um processo de escolha que contou com um comitê formado por ícones internacionais e votação popular. Em entrevista ao Abre Aspas , do ge , a ex-jogadora e comentarista da Globo revelou que pensou ser uma brincadeira quando foi informada do resultado.

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- É muito louco quando eu olho para trás. Se alguém dissesse: "Fabi, você vai ganhar duas medalhas de ouro olímpicas, vai conhecer seus ídolos, viajar e no fim das contas vai terminar em um grupo seleto de atletas históricos". Você está de brincadeira comigo (risos). Jamais imaginei que pudesse acontecer algo próximo disso.

Mais brasileiros homenageados

Dos quatro brasileiros indicados em 2026, o campeão olímpico na Rio 2016 e prata em Londres 2012, Alison "Mamute" Cerutti, também foi selecionado. Na sede do Hall da Fama, o atleta deixou peças importantes da carreira, como boné, óculos e camisa usados na vitória por 2 sets a 0, ao lado de Bruno Schmidt, contra a dupla italiana que rendeu o ouro nas areias de Copacabana há 10 anos. Ele também disputou os jogos de Tóquio 2020 e foi bicampeão do circuito mundial.

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- Sendo um dos jogadores mais fisicamente imponentes e tecnicamente talentosos da história do esporte, Alison combinou força, capacidade atlética e intensidade competitiva para se tornar uma das figuras mais emblemáticas do vôlei de praia moderno - destaca trecho da biografia de Alisson disponível no Hall da Fama.

Após receber o anel e a fotografia, o ex-jogador relembrou momentos dos 24 anos da carreira, iniciada no Espírito Santo e que culminou em duas medalhas olímpicas e como um dos 115 brasileiros que subiram ao pódio mais de uma vez nos Jogos. Ao afirmar ser apaixonado pela modalidade, Mamute mencionou que fez parte da escola antiga, ao começar na quadra e depois migrar para areia.

- É motivo de muito orgulho estar aqui para receber esta homenagem e pensar que, a partir de hoje, estarei junto de tantos grandes nomes, de tantos brasileiros, que brilharam nas areias e nas quadras. É difícil entender o tamanho de tudo isso. Nas minhas palavras, é como zerar um jogo. Daqui, penso o tamanho da minha caminhada, lembro de tudo que vivi, de tudo que passei e de quanto precisei batalhar para alcançar meus sonhos, os meus objetivos - discursou o jogador, que ficou conhecido pela eficiência no bloqueio.

O terceiro representante do Brasil incluído no Hall da Fama foi Ary Graça na categoria Líder. Ele comandou a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) entre 1997 e 2012. No último ano à frente da entidade, foi eleito para a presidência da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), onde permaneceu até 2014. Neste período, a Liga das Nações (VNL) foi criada para substituir a Liga Mundial masculina e o Grand Prix feminino, além da Volleyball World - instituição responsável pelos negócios de mídia, digital, patrocínio e eventos - e do programa de Empoderamento - que apoia financeira e tecnicamente seleções e federações.

Ao todo, 27 brasileiros foram homenageados até hoje, como Shelda Bede, Ana Moser, Fernanda Venturini, Jackie Silva, Giba, Emanuel Rego, Ricardo Santos, José Roberto Guimarães, Bernardo Rezende e Renan Dal Zotto.

Outros homenageados

Além dos três brasileiros, outra personalidade da América do Sul passou a integrar o Hall do Fama. Yoel "Joel" Despaigne é o primeiro atleta de Cuba a ser eleito para esta honraria. Com ataque explosivo, o ponteiro acumulou cerca de 350 partidas pela seleção, tendo como período de destaque o final da década de 1980 e o início da década seguinte, em que conquistou o ouro na Copa do Mundo de 1989 e a prata no Campeonato Mundial de 1990. Ainda participou de dois jogos olímpicos: Barcelona 1992 e Atlanta 1996.

Dos Estados Unidos, a jogadora de vôlei de praia, April Ross, foi reconhecida pela atuação de mais de 10 anos na modalidade. Além do ouro no Campeonato Mundial em 2009, subiu no lugar mais alto do pódio em Tóquio 2020, garantindo também a prata em Londres 2012 e o bronze na Rio 2016.

Com quatro participações olímpicas, Ekaterina Gamova foi outra atleta homenageada. A russa tem no currículo as medalhas de prata em Sydney 2000 e Atenas 2004, mas suas habilidades também conduziram a seleção ao ouro em duas edições do Campeonato Mundial e a vários títulos por clubes europeus.

O francês Laurent Tillie foi o técnico a receber o reconhecimento. Ele acumulou mais de 40 anos dedicados ao vôlei, incluindo as duas participações olímpicas e as 406 partidas como jogador da seleção. Em 2012, chegou ao elenco como treinador, sendo responsável por comandar a França no ouro olímpico inédito em Tóquio 2020, além de dois títulos da Liga Mundial.

Entre os árbitros, o escolhido foi o japonês Takashi Shimoyam, que atuou em três Jogos Olímpicos — Barcelona 1992, Atlanta 1996 e Sydney 2000 — uma conquista alcançada por apenas um grupo seleto de árbitros na história do vôlei.

Denis Le Breuilly foi o representante do vôlei paralímpico, com atuação de mais de quatro décadas em diferentes funções, como árbitro, educador e gerente geral da World ParaVolley, onde desenvolveu ações para promover a integridade e o desenvolvimento do vôlei sentado.



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