MP investiga clínica de hemodiálise após morte de paciente e denúncias de falhas

| INFORMATIVOMS / DOURADOS AGORA - FLáVIO VERãO


O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades na prestação de serviços de uma clínica especializada em diálise e nefrologia, em Campo Grande. A medida foi adotada após o registro de intercorrências durante sessões de hemodiálise, que incluem a morte de um paciente e outros casos de internação ocorridos em 2026.

A investigação é conduzida pelo promotor de Justiça Marcos Roberto Dietz, da 76ª Promotoria de Justiça da Capital. O procedimento foi instaurado depois da conclusão das diligências iniciais realizadas no âmbito de uma Notícia de Fato aberta em maio deste ano.

O objetivo do inquérito é verificar se a unidade cumpria as normas sanitárias exigidas para esse tipo de atendimento, esclarecer as circunstâncias dos incidentes registrados e apurar se eventuais falhas na prestação do serviço podem ter contribuído para os danos relatados pelos pacientes.

Durante inspeções realizadas pela Vigilância Sanitária Estadual, foram identificadas 12 não conformidades envolvendo procedimentos de segurança, higienização de equipamentos, controle da qualidade da água utilizada no tratamento, registros assistenciais e comunicação de eventos adversos.

As irregularidades resultaram na emissão de auto de infração e na aplicação de sanção administrativa. O Ministério Público ressalta que, mesmo que a clínica tenha corrigido as falhas posteriormente, permanece a obrigação de manter o cumprimento contínuo das normas sanitárias voltadas à proteção da saúde dos pacientes.

Como parte das primeiras medidas do inquérito, o MPMS expediu ofícios à clínica, à Vigilância Sanitária Estadual e à 1ª Delegacia de Polícia Civil.

A unidade de saúde terá prazo de 20 dias para apresentar documentos que comprovem as providências adotadas para corrigir cada uma das irregularidades apontadas pela fiscalização. A Vigilância Sanitária deverá informar se as exigências foram atendidas, se novas inspeções foram realizadas e qual a situação do processo administrativo instaurado. Já a Polícia Civil deverá atualizar o Ministério Público sobre o andamento do inquérito policial que investiga o caso.

O caso ganhou repercussão em maio, após pacientes relatarem episódios de mal-estar durante sessões de hemodiálise, além de apontarem problemas na estrutura da clínica. Também houve denúncias de diferenças no atendimento entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e pacientes de convênios ou particulares.

Na ocasião, familiares e pacientes também mencionaram internações e a morte de um homem que realizava tratamento na unidade, além de levantarem suspeitas sobre possíveis falhas nos protocolos assistenciais. Essas situações seguem sendo investigadas e, até o momento, não tiveram responsabilidade confirmada pelos órgãos competentes.

Após as denúncias, a Vigilância Sanitária realizou fiscalização na clínica e instaurou procedimento administrativo para apurar as possíveis irregularidades.



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