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Análise: salva por Messi, Argentina mostra que sucesso na Copa vai além da tática
Time de Lionel Scaloni não tem grande atuação, mas mostra fé e garra implacáveis em virada histórica sobre o Egito. Camisa 10 tira campeões mundiais do abismo
| GLOBOESPORTE.COM / JORGE NATAN
O que faz a diferença para o sucesso em uma Copa do Mundo? O Mundial sempre é palco de discussões táticas, busca por tendências, exposição de novas ideias... Mas muitas vezes, principalmente em Copas do Mundo, o futebol vai além de jogar bem ou mal. Como na histórica virada da Argentina sobre o Egito, quando os comandados de Lionel Scaloni deixaram claro que o DNA de campeão precisa de coragem, coração, raça, fé... Qualidades que não surgem em treinos. Mesmo no dia em que não brilhou, a Argentina venceu porque seus jogadores não desistiram - e porque tem Lionel Messi.
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Se os jogadores argentinos não perderam a fé, foi porque sabem que contam com a ajuda de um jogador tratado por muito quase como um deus. Messi tirou a Argentina do abismo quando ele parecia inevitável. E o elenco que fez o camisa 10 campeão mundial foi com ele, impedindo uma surpreendente eliminação nas oitavas de final e ganhando um contorno de magia em busca do bi.
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A Argentina não teve uma boa atuação: indicou problemas defensivos, não foi precisa no ataque e permitiu que o Egito implementasse sua estratégia com efetividade quase o jogo todo. As trocas feitas por Lionel Scaloni antes do jogo não tiveram um efeito tão positivo. Diversos jogadores ficaram devendo, e o time não fez jus ao favoritismo. Mas, no fim das contas, o saldo foi obviamente positivo: os atuais campeões se classificaram, evitaram uma segunda prorrogação consecutiva e mandaram um recado de que não será fácil derrotá-los em qualquer circunstância.
Erro no começo custa caro
Mais uma vez, o jogo começou com um cenário muito positivo para a Argentina. Os que apoiavam Messi e companhia eram imensa maioria entre os mais de 68 mil torcedores no Estádio de Atlanta. E o time vinha com um status de grande favorito diante de uma seleção que jamais havia chegado às oitavas de final. Assim, os atuais campeões foram para cima no começo do jogo, com tentativas de chegadas rápidas ao ataque e muita pegada na busca por recuperar a bola.
Os primeiros minutos deram a impressão de que poderia ser uma tarde de facilidade, caso a produção ofensiva se mantivesse. Mas um erro na defesa custou caro e indicou uma brecha que os adversários podem explorar: a bola aérea, principalmente nas costas de Lisandro Martínez.
Assim veio o primeiro gol do Egito, quando a marcação argentina demorou a reagir depois de cobrança curta de escanteio. Attia cruzou, e Yasser ganhou de Lisandro, em um lance que condicionou o duelo - assim como o pênalti perdido por Messi (e defendido por Shobeir) logo depois. Em desvantagem, a Argentina teve mais dificuldade para circular a bola no meio de campo e apostou muito nas jogadas pelas pontas.
A troca de passes da Argentina, característica de um time muito técnico, foi perdendo velocidade, e o time apelou para muitos cruzamentos. No começo do segundo tempo, houve ainda maior dificuldade com o Egito empilhando até seis defensores na última linha de marcação. Os sul-americanos precisaram avançar com mais jogadores e abriram brecha para os contra-ataques - um cenário agradável para os africanos.
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O golaço de Zico, após linda jogada de Hassan em contragolpe, acabou anulado. Mas ainda assim a Argentina voltou a permitir que o adversário saísse novamente em jogadas de velocidade, pegando sua defesa em situação de dois contra dois, três contra três.
Messi evita o abismo, e time vem junto
Scaloni buscou mudanças para empatar o jogo, colocando Nico González e Lautaro Martínez nos lugares de Tagliafico e De Paul, mas não solucionou a questão defensiva, e o Egito balançou as redes de novo. O desespero argentino ficou evidente no silêncio do estádio e se refletiu no campo, com tentativas de cruzamento em sequência, sem sucesso. Montiel entrou no lugar de Molina para dar novo fôlego na defesa.
Quando, no ataque, o jogo parecia que entraria em uma espiral de tentativa e erro por parte dos argentinos, Messi tirou seu grupo do abismo com sua precisão ímpar. O camisa 10 deu um cruzamento perfeito para Romero, que nem precisou sair do chão para cabecear e diminuir, aos 33. Os argentinos cresceram com a atmosfera favorável a partir dali - e apareceram a fé, a coragem e as outras qualidades que os argentinos mostraram além do futebol.
A Argentina partiu para o ataque com grande pressão, deixando o Egito acuado. Foi assim que Messi empatou o jogo, pegando uma sobra na área. A crença argentina de que um bom resultado viria criou uma descrença nos egípcios, que, visivelmente tensos, não conseguiram ser precisos e desperdiçaram outra grande chance de contra-ataque, aos 45. No lance seguinte, a Argentina usou a principal arma do adversário para feri-lo e marcou com Enzo Fernández.
Em termos de futebol, a Argentina deixou no ar algumas dúvidas, como na atuação contra Cabo Verde: o time levou quatro gols nos últimos dois jogos, de adversários que não eram vistos como tão trabalhosos, e o setor ofensivo teve dificuldades para furar retrancas. As duas etapas do mata-mata ainda foram bem desgastantes em termos físicos. Mas os comandados de Lionel Scaloni mostraram que podem compensar os problemas com o que não está no alcance da tática.