Agente brasileira de Haaland rema junto com sucesso de norueguês na Copa: "Match perfeito"

Empresária Rafaela Pimenta diz que camisa 9 da Noruega teve boom de patrocinadores e de milhões de seguidores no Mundial com jeitão carismático do atacante: "Se fosse artificial não ia vingar"

| GLOBOESPORTE.COM / RAPHAEL ZARKO


Rafaela falou ao ge em Miami antes de ir para Dallas. Nesta terça, Noruega enfrenta Costa do Marfim — Foto: Reprodução

Ela chama Haaland apenas de Erling. Desde que o fenômeno norueguês tinha 18 anos e se transferiu para o Salszburg, da Alemanha, é Rafaela Pimenta, a superagente brasileira, quem está ao lado de Haaland, autor de quatro gols em dois jogos nesta Copa.

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Em entrevista ao ge, Rafaela conta que a chegada do Mundial, o primeiro do jogador de 25 anos, aumentou ainda mais a demanda comercial pelo norueguês. Ele ainda revelou carisma pelas nas redes sociais. Se começou a Copa com 40 milhões de seguidores, hoje está chegando próximo a 45 milhões.

- Estamos no meio da Copa e ele já superou o Beckham - destaca a agente brasileira, que estava de saída de Miami para Dallas.

Nesta terça, ela acompanha in loco a partida da segunda fase da Noruega contra a Costa do Marfim. Se passar, ela nem quer ver o que vai acontecer no jogo contra o Brasil. Aliás, nem quer ir ao estádio para não ficar nervosa. A entrevista foi gravada minutos depois do Brasil bater o Japão.

Entrevista Rafaela Pimenta, da agência Tática

ge: Como é o trabalho do agente quando chega uma Copa do Mundo? Torce pelo atleta ou cuida de muita coisa a mais?

Rafaela Pimenta: — Eu estou indo para a minha quarta Copa do Mundo como agente envolvida profissionalmente. A cada Copa a gente tenta se preparar com antecedência — para as famílias, para o que o jogador possa precisar, para nós mesmos — e nunca adianta (muito). É como se não tivéssemos preparado nada. Continuamos na mesma loucura, tudo se repete porque são novas aventuras e emoções.

— Fora a parte de apoio estrutural e logístico, que é óbvia (porque vêm muitos familiares e amigos), há a dinâmica com as federações. Algumas federações ajudam demais, outras se envolvem muito pouco devido a experiências passadas com confusões entre famílias. Mas as necessidades são individuais. Nós participamos muito da logística e também como torcedores. É importantíssimo para o atleta ter o (lado) torcedor ali, pessoalmente. Uma retribuição, uma sensação de que tem valor a gente ser torcedor, mas mesmo que não tivesse a gente seria, porque a gente quer ver aquilo acontecer.

— Eu confesso que eu já remei, já pus sombreiro, hoje estava torcendo para o Brasil, minha cachorra está com roupinha do Brasil. Estou aqui com a dividida, com o coração dividido.

ge: Você falou da "remada". Foi uma grande atração da Noruega essa Copa. Você já conhecia isso?

— A primeira vez que vimos foi no último jogo da Noruega em casa, no jogo de despedida contra a Suécia, se não me engano. De repente, a torcida organizada começou a fazer um movimento que parecia de remo. Eu vi: "o que eles estão fazendo?Parece que eles estão fazendo movimento de remo. Eles estão estão remando!" Aí todo mundo percebeu, ficou todo mundo encantado.

— Mas jamais imaginávamos que viraria essa febre. Por todos os lugares onde estive, a cidade inteira estava remando. Isso deu um entusiasmo e um carisma enorme para o time. Quando os jogadores remaram em campo, foi um sinal de que eles estavam dando esse carinho de volta. Virou uma tradição, a Noruega agora rema até o fim da vida.

ge: Haaland também revelou carisma especial na redes. Conhecia esse lado?

— O que eu acho legal é a espontaneidade. É como a gente tenta conduzir a coisa. O seu YouTube, o seu Instagram, o seu Snapchat e tudo mais, ele é uma continuação de quem você é. Ele é uma expressão da sua personalidade. Então, se nós formos a artificializar aquilo... "Ah, mas o público gosta de tal coisa". Então eu não vou dar o que o público gosta, porque senão eu vou ser mais um sem graça, sem sal, seguindo tendência.

— O que eu acho legal dele é: ele não tem medo de ser feliz. Ele não tem medo de tirar sarro dele mesmo. Ele responde a críticas de uma maneira extremamente irônica e educada. Então, ele pode responder a qualquer tipo de crítica. Eu adoro aquela aquele Snap onde alguém pergunta: "Você é um menino ou uma menina?" O cara responde tranquilamente: "Eu sou um pouco dos dois, meu pai é menino, minha mãe é menina". Está super bem, a resposta tá ótima!

— Então, o cara sabe levar. E esse humor um pouco ácido dele, eu acho que é o humor que a gente gosta de ver. Então, a gente deixa. Não é um cara que a gente a gente tem que falar: "Hum, isso é de mau gosto. Olha, isso é ofensivo." Ele tem essa sensibilidade. Ele tem esse filtro. Então, ele que se expanda até onde que ele quiser, porque a gente está adorando ver.

ge: Haaland já era muito conhecido antes da Copa, mas o torneio atinge um público enorme, maior do que o de clubes. Vocês trabalharam a imagem dele de alguma maneira específica para isso?

— Sem dúvida nenhuma. Já era esperado, não só por ser Copa, mas por ser nos Estados Unidos, que é o berço do entretenimento. O americano de modo geral, quando segue futebol, acompanha a Premier League (o público latino segue mais a Liga Espanhola).

— Eu diria, com certeza, que Erling se tornou para o público americano a cara do futebol, o futebol hero, o soccer hero, no caso, se tornou ele.O interesse do americano vinha aumentando e o Erling se tornou a cara do futebol para eles.

— E a gente fez um trabalho, na verdade, com todos os patrocinadores que nós escolhemos para estar em volta dele durante a Copa, que teriam grande impacto na Copa do Mundo, que também patrocinam a própria Copa, exatamente porque a gente tava buscando o alcance maximizado, do atleta e do personagem. E eu acho que a gente atingiu, porque se você pegar tudo o que está acontecendo na mídia e na mídia social, disparado, eu diria que ele é o assunto. Ele é o atleta mais comentado. Porque ele joga na Premier League, por causa das características que ele tem, pelas escolhas que tem feito, realmente combinando demais, na minha opinião, com a figura do "american sports hero".

ge: Talvez também por não ser de um país campeão do mundo, ele acabe sendo uma atração diferente, uma novidade?

— Eu nunca tinha pensado por esse ângulo, não quer dizer que eu não concorde. Mas enquanto esse esporte não se consolidar aqui, porque ele vai se consolidar, mas enquanto não se consolidar existe um "gap" para algum herói. E eu acho que realmente tem a ver até com a postura que ele tem fora de campo, aquela ironia, brincadeira, aquela maneira de se expressar, tem muito a ver com o que eu acho que que esse público busca e é tudo natural.

— A gente simplesmente pegou o que é orgânico e mostrou para o mundo, porque também se fosse artificial não ia vingar. O orgânico dele combina, então é um match perfeito.

ge: E quatro gols em dois jogos ajuda muito também, né?

— Ajuda, ajuda demais! Vamos ver amanhã (Noruega x Costa do Marfim).

ge: Como foi o impacto da Copa em patrocinadores pessoais do Haaland?

— Hoje ele tem aproximadamente 10 patrocinadores até o fim da Copa do Mundo. Terminando o torneio, passamos para a carteira da próxima temporada, com alguns novos que já estão assinados e outros que saem, porque há marcas que só se interessam pelo período da Copa.

— A Buweiser sempre foi muito conectada à Copa do Mundo, mas agora provavelmente, oficialmente ou não oficialmente, a gente imagina que que vão fechar com a Champions League, por exemplo. E se eles se tornam patrocinadores da Champions League, me parece um caminho natural. Mas normalmente a Budweiser não é um patrocinador clássico de futebol. Como a Visa não é. Como o Walovi, que é uma bebida chinesa, também, mas na Copa eles se interessam pelo torneio.

ge: Então tem patrocinadores que entraram para a carteira do Haaland apenas para a Copa?

— Sem dúvida. Tem alguns que entram para a Copa do Mundo, alguns que entram já a longo prazo e outros que entram depois da Copa, que é mais barato. Então, se eles não estão interessados, especialmente no torneio, a gente consegue fazer outros tipos de operação pós-Copa do Mundo com com situações diferentes.

ge: Ele hoje está entre os jogadores mais bem pagos do mundo e mais conhecidos. Entende que ele stá nesse patamar?

— Veja, a gente começou a trabalhar a mídia social do Erling antes da Copa do Mundo. Eu acho que três semanas antes, duas a três semanas antes. Para usar a plataforma para os nossos patrocinadores chineses e que têm interesse na China. Nós estamos no meio da Copa do Mundo e ele já superou o Beckham. Sendo que o Beckham trabalha a China desde que a China começou a ter envolvimento de futebol. A gente está falando de praticamente um mês, um mês e meio, e ele está nessa posição. A tendência é descontinuar em volumes gigantescos. Uma bola de neve.

ge: Haaland tem muitos títulos na carreira, tem a Champions, mas o jogador sente a Copa de maneira diferente. Fica acima de tudo. Você percebe essa sensação?

— Com certeza. Vou fazer uma comparação: todos nós, brasileiros, gostamos de feijoada. Se todo sábado tiver, a gente tá feliz de comer feijoada. Mas vai ter aquela uma vez por ano, que é nosso aniversário, que vai ter um bolo de aniversário. E ele é especial, né?

— Então eu eu faria a mesma comparação. Eu vejo os jogadores que que realmente vestem a camisa com muita paixão pelo clube. Não é para qualquer um assinar contrato de 10 anos. Não é porque ele merece mais que os outros ou é melhor que os outros. Não é isso, é uma questão de personalidade. Erling assinou um contrato de 10 anos e não teve um minuto e nenhum de nós tínhamos dúvida sobre isso, que a motivação, a inspiração e entusiasmo dele tenha mudado por conta deste tempo de contrato. Para algumas outras personalidades, eu acho que não funcionaria. Não é porque a pessoa é preguiçosa, não é isso.

— A minha grande preocupação é que um contrato tão longo não se torne uma gaiola de ouro. Você está numa situação ótima, você tem 10 anos de contrato, financeiramente você está legal. Mas pode ser uma prisão. Porque você fala: "Mas como assim? Eu já sei o que vai acontecer nos próximos 10 anos". Nem para todo mundo funciona. Usando essa comparação, eu acho o seguinte: os jogadores com contrato longo ou curto vestem mesmo a camisa do clube com muito entusiasmo por jogar para o seu clube. Porém, a Copa do Mundo, ela é rara. Ela vai vir a cada 4 anos.

— Quando ela vem a a cada quatro anos, ela tem um gosto especial. Um exemplo mais absurdo (risos), uma coisa é ser namorada, outra coisa é ser casada. Você tem a sua mulher, é tudo super legal. Mas quando você está namorando, às vezes tem aquele entusiasmo. A Copa do mundo, às vezes, é mais aquela sensação de namoro do que de casamento.

ge: Tem também a sensação de pertencimento?

— Claro. Ela vem também com todo essa essa carga emocional que de é "de onde eu saí". Você tem que pensar que os grandes atletas foram embora de seus países. Então eles não estão em casa. Estar com a seleção é a chance de comer a comida de casa, de falar a língua, de viver com pessoas que tem a mesma cultura que você, também te dá alguma coisa a mais.

— Tem aquele seu país inteiro atrás de você, você lembrando de quando era pequeno naquele país. Ela é mágica, não não adianta falar que não é. Ela é mágica para o jogador, tanto que o cara joga de graça. "Ah ele ganha". Ganha nada, (ganha) porcaria. Ele praticamente está pagando para trabalhar, perdendo férias. Porque muitos deles praticamente vão emendar a temporada na Copa de Mundo. Depois, pouquinhos dias de férias e pré-temporada. Mas quem está nem pensando nisso? O pessoal quer é curtir, jogar e ir o mais longe possível. Não tem ninguém que vem e fala: "Não, mas eu tenho que ir embora logo pegar minhas férias".

ge: A gente está falando momentos depois de uma eletrizante classificação do Brasil. Preparada para assistir ao Haaland contra o Brasil?

— Eu pretendo não ir a esse jogo! (risos). É um jogo realmente complicado para mim. Estou acompanhando o Brasil à distância por conta dos meus compromissos. Estava no telefone comemorando a vitória contra o Japão agora há pouco, gritando sozinha antes de ir para o aeroporto e todo mundo está na festa (do Brasil). Estou saindo para o aeroporto, mas também feliz da vida, porque a gente estava torcendo demais. Já deu tempo de ligar para todo mundo, festejar e e realmente eu acho que se tiver Brasil x Noruega vai ser incrível. Porque vai ser super legal ver o nosso Brasil jogando, no meu caso, com o meu jogador, né? Então, eu realmente não vejo a hora.



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