Éderson e mais dois: time da 4ª divisão de SP rivaliza com grandes e tem três revelados na Copa

Lanterna e rebaixado na Série A3 deste ano, Desportivo Brasil se notabiliza como um dos celeiros de craques do Brasil

| GLOBOESPORTE.COM / ARCíLIO NETO


Éderson ao lado dos jogadores do DB. De fone branco, Maurício, atual jogador do Palmeiras, que fez a base no Dragão — Foto: Divulgação/Desportivo Brasil

A convocação do volante Éderson tornou o Desportivo Brasil um dos times brasileiros com mais revelações na Copa do Mundo de 2026. O clube, intruso em um ranking de gigantes como Flamengo, Corinthians, Fluminense, São Paulo e Cruzeiro, está na quarta divisão do Campeonato Paulista.

Apesar de nunca ter tido destaque no futebol profissional, o pequeno time do interior de São Paulo se notabiliza como um celeiro de craques do Brasil.

Só na edição deste ano da Copa, serão três jogadores que começaram a carreira no DB: além de Éderson, o clube de Porto Feliz também revelou o zagueiro Bremer e o meia Maurício, este último convocado pela seleção do Paraguai.

Desde 2020, o Desportivo faturou mais de R$ 120 milhões com vendas de jogadores. Além do trio da Copa, também negociou nomes como Diego Carlos (Aston Villa), Kevin (Fulham e ex-Palmeiras) e Rodrigo Muniz (Fulham e ex-Flamengo).

O clube, porém, não direciona os lucros para o seu time profissional. O foco é manter ativa a mina de ouro para revelar os craques do futuro. Depois de dez temporadas seguidas na Série A3 do Campeonato Paulista, o DB foi o lanterna da competição deste ano e foi rebaixado para a quarta divisão estadual.

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Os revelados da Copa

Éderson chegou ao Desportivo Brasil em 2013, quando tinha apenas 13 anos de idade. Em 2015, o volante foi emprestado para o Shandong Luneng, que faz parte do mesmo grupo, mas voltou logo depois. Foi lançado no profissional em 2017 e, em seguida, foi emprestado para o Cruzeiro. No profissional do DB, disputou nove partidas e marcou um gol.

Outro nome "made in Desportivo" da seleção brasileira é o zagueiro Bremer, que foi contratado pelo clube aos 17 anos, em 2014. No ano seguinte, já foi lançado no profissional e entrou em campo em nove jogos da Bezinha, a quarta divisão do Paulista. Depois, foi emprestado para os times sub-20 e sub-23 do São Paulo, onde ficou até 2016, antes de se transferir para o Atlético-MG.

A terceira e última revelação do Desportivo Brasil para a Copa do Mundo 2026 é o meia Maurício, do Palmeiras. Ele se naturalizou paraguaio e vai disputar o Mundial pela Albirroja. O jogador chegou ao DB com apenas 15 anos e ficou até 2018, quando foi negociado com o Cruzeiro. Ele foi o único dos três a nunca ter jogado no profissional do clube do interior paulista.

Ligação com a China

Conhecido como Dragão Chinês, o Desportivo Brasil é um clube-empresa que pertence ao Shandong Taishan, da China. De 2014 a 2022, o DB foi controlado pela empresa Luneng, que dava o nome ao time chinês (Shandong Luneng, na época). Desde 2023, o clube de Porto Feliz passou a ficar no guarda-chuva da Secretaria de Cultura e Turismo de Jinan, que administra o Shandong.

Em entrevista ao ge, o gerente geral do Desportivo, Marcelo Lima, revelou que, desde 2022, o clube de Porto Feliz se tornou autossuficiente e passou a não depender mais do dinheiro chinês. O custo anual do projeto é R$ 15 milhões. Em todos os últimos quatro anos, o Dragão Chinês fechou com lucro.

Fundado em 2005 pelo extinto Grupo Traffic, do empresário J. Hawilla, que morreu em 2018, o Desportivo nasceu com o objetivo de revelar atletas para faturar na venda dos direitos econômicos e nos mecanismos de solidariedade da FIFA.

A partir disso, negociações de jogadores formados no clube fazem pingar milhões em seus cofres, seguindo a proporção do número de anos que o atleta passou na base do time.

Além deste mecanismo, o DB mantém porcentagens de jogadores para faturar ainda mais. Foi o caso da negociação do Flamengo com o Fulham no atacante Rodrigo Muniz. Quando o Desportivo o vendeu ao Fla, manteve 36% dos direitos dele, sendo beneficiado anos depois, em 2021, com este negócio que rendeu quase R$ 20 milhões.

Atualmente, o Dragão Chinês tem, por exemplo, 15% dos direitos do meia Maurício. Se ele for vendido, futuramente, o time de Porto Feliz terá direito a essa fatia, além de uma outra porcentagem do mecanismo da FIFA para clubes formadores.

Na Champions League de 2024/25, o Desportivo foi o segundo time brasileiro com mais atletas revelados, atrás apenas do São Paulo.

Uma das causas do sucesso nas finanças e nas revelações é o poderoso CT do clube. Construído em 2009, o centro de treinamento está em uma área de 156 mil metros quadrados, com sete campos, sendo cinco oficiais e dois para treinamentos específicos.

O moderno alojamento tem capacidade para 190 atletas e conta com áreas de convivência e lazer, salas de jogos, de TV e de computadores. O CT também dispõe de um centro de condicionamento e recuperação.

O espaço tem ainda um auditório com capacidade para 100 pessoas e uma sala de aula para 50 alunos. Semanalmente, os jovens atletas têm aulas extracurriculares de inglês e de chinês, além de cursos de arbitragem e outras palestras.

Na Copa do Mundo de 2014, o centro de treinamento recebeu a delegação da seleção de Honduras.



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