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Sai Champions, entra Copa: técnicos com carreira consolidada em clubes vivem experiência nova em seleções
Carlo Ancelotti, cinco vezes campeão da Liga dos Campeões, é o nome mais vitorioso entre os treinadores que "trocaram o chip", em um grupo que tem, também, Thomas Tuchel
| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
Por muitos anos, eles se acostumaram com o ritmo de clubes europeus: uma boa pré-temporada, tempo para trabalhar suas ideias de jogo ao longo das competições e, principalmente, um pouco mais de paciência na avaliação do seu trabalho. Mas isso foi no passado. Uma turma de "técnicos de clubes" decidiu trocar a velha rotina por uma experiência nova: jogos a cada dois meses, períodos curtos de treinos e uma Copa do Mundo como "prova final".
A Copa de 2026 marcará a estreia de nomes consagrados do futebol na maior competição do planeta. Nessa transição de carreira, nenhuma mistura é mais aguardada do que Carlo Ancelotti e a seleção brasileira . O técnico mais vencedor da Liga dos Campeões da Uefa, com cinco títulos (dois com o Milan e três com o Real Madrid), liderando o único país pentacampeão mundial em busca de uma nova consagração.
"Trabalhava todos os dias", diz Ancelotti
Em novembro de 2025, seis meses após assumir a seleção brasileira, Ancelotti falou sobre a adaptação ao novo estilo de trabalho.
- Para mim, é uma boa experiência. Quando cheguei foi para preparar os dois jogos de classificação para a Copa do Mundo e depois tive um pouco de dúvida. Não estou acostumado a trabalhar de vez em quando. Trabalhava todos os dias e agora é diferente. É um trabalho diferente e de observação, o que tem sido muito bom - disse na época o italiano, campeão nas grandes cinco ligas nacionais da Europa, à frente de Bayern de Munique, Paris Saint-Germain e Chelsea, além de Milan e Real Madrid.
Ancelotti, de 66 anos, não é o único campeão de Champions League e ligas nacionais pela Europa vivendo sua primeira aventura em Copa do Mundo. A Inglaterra apostou no alemão Thomas Tuchel , que em 2023 ganhou com o Chelsea o título europeu, a Supercopa da Uefa e o Mundial de Clubes em 2023.
Tuchel, de 52 anos, também fez toda a carreira em clubes. Levou o Borussia Dortmund à conquista da Copa da Alemanha em 2016/17, seu primeiro título como treinador. Não parou mais: no PSG ganhou dois Campeonatos Franceses, entre outras taças, e depois da passagem pelo Cheslea ainda levou o Bayern de Munique ao título alemão em 2022/23.
"Muita coisa a organizar", revela Tuchel
Desde outubro de 2024 no comando da Inglaterra, o técnico alemão descobriu que, mesmo sem treinos diários, não falta trabalho a um treinador de seleção. Em março, antes dos amistosos contra Japão e Uruguai, ele fez um resumo das suas atividades desde a Data Fifa anterior.
- Eu assisti a muitos jogos, viajei muito, há muita coisa a organizar para a Copa do Mundo: escolher os campos de treino, o CT, ter a logística organizada. Muitas coisas precisam ser discutidas e decididas, e é para isso que estamos aqui - comentou Tuchel em entrevista coletiva.
Importar técnicos de clubes virou uma tendência no ciclo preparatório para a Copa de 2026. Treinador mais jovem deste Mundial, o alemão Julian Nagelsmann , de 38 anos, ganhou fama de prodígio com bons trabalhos no Hoffenheim, RB Leipzig e no gigante Bayern de Munique. Chamou a atenção da Federação Alemã, que o contratou em 2023 para tentar resgatar o prestígio da seleção nacional, após duas eliminações seguidas nas fases de grupo na Rússia-2018 e Catar-2022.
Uma das anfitriãs, a seleção dos Estados Unidos contratou em 2024 o argentino Mauricio Pochettino , vice-campeão da Champions com o Tottenham em 2019 e com passagens por PSG e Chelsea nos anos seguintes. No mesmo ano, o Equador buscou o argentino Sebastian Becaccece , campeão da Recopa Sul-Americana com o Defensa y Justicia em 2021 e com trabalhos no Independiente, Racing e Elche, da Espanha.
Em 2025, outras seleções seguiram esse caminho. O inglês Graham Potter, ex-Brighton, Chelsea e West Ham, assumiu a Suécia; o francês Rudi Garcia , com passagens por times como Lille, Roma, Olympique de Marselha, Lyon, Al-Nassr e Napoli, vai dirigir a Bélgica na Copa; e a seleção do Catar contratou Julen Lopetegui - o espanhol já tinha dirigido seleções de base e principal da Espanha, em uma passagem frustrante encerrada às vésperas da Copa da Rússia-2018, mas desde então se dedicava ao trabalho em clubes como Real Madrid, Wolverhampton e West Ham.
Europa tem tradição de "técnicos de seleção"
Pode parecer natural que grandes seleções apostem em técnicos vitoriosos. Essa sempre foi, por exemplo, a base da escolha dos treinadores da seleção brasileira: um bom trabalho nos clubes abria caminho para o convite da CBF. Mas em outros países, especialmente na Europa, existe uma diferença bem estabelecida entre treinadores "de clube" e os de seleção.
Técnico da Alemanha na conquista da Copa de 2014, Joachim Löw foi assistente de Jürgen Klinsmann no Mundial de 2006 antes de assumir o cargo e comandar a seleção alemã nas três Copas seguintes. Didier Deschamps, em sua terceira Copa comandando a França, com um título (Rússia-2018) e um vice (Catar-2022), tinha apenas duas conquistas importantes por clubes (Copa da Liga Francesa de 2002/03 com o Monaco e Campeonato Francês de 2009/10 com o Olympique de Marselha) quando assumiu a seleção, em 2012.
Na Copa de 2026, há outros casos emblemáticos: o espanhol Roberto Martínez , técnico de Portugal, não dirige um clube desde que deixou o Everton, em 2016. De lá para cá, foram seis anos à frente da Bélgica, e desde 2023 com a seleção portuguesa. A Espanha tem em Luís de la Fuente um treinador "feito em casa": ele passou nove temporadas dirigindo seleções de base do país até chegar à principal, em 2022.
Outro exemplo vem da Argentina, que apostou em Lionel Scaloni , ex-treinador da seleção sub-20, sem nenhuma experiência em clubes. Após a eliminação nas oitavas de final da Copa de 2018, Scaloni assumiu interinamente a seleção principal e conseguiu desatar o nó que fez a Argentina amargar um jejum de 23 anos se conquistas: ganhou a Copa América de 2021 e a Finalíssima, no ano seguinte, e depois veio a consagração máxima: o tricampeonato mundial na Copa do Catar-2022. E ainda faturou mais uma Copa América, em 2024.
Habituados com o ritmo de seleções, camaleões que mudam a rotina de acordo com a oportunidade ou "novatos" que deixaram o dia a dia de clubes para embarcar na aventura da Copa do Mundo: seja qual foi o perfil, 48 "professores" vão buscar, a partir do dia 11, o prêmio que qualquer treinador cobiça, a Copa do Mundo.