
Geral
"Não foi inesperado": diz engenheiro sobre rompimento de asfalto na Rachid Neder
Segundo Sidiclei Formagini, é necessário realizar um estudo específico para dimensionar o problema
| CLARA FARIAS E GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS
Estragos no asfalto da rotatória na Avenida Rachid Neder com a Ernesto Geisel, no São Francisco, não era inesperado, conforme o vice-presidente do Crea-MS e coordenador do curso de Engenharia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Sidiclei Formagini. Segundo ele, o problema vai muito além do asfalto danificado.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Ele explica que a questão é muito mais ampla do que somente o asfalto. 'Quando essa área foi projetada, não era habitada. Existia mato, campo, uma grande área de infiltração', detalhou. Segundo ele, com o desenvolvimento urbano da cidade, tudo naquela região foi sendo ocupado, e o solo acabou totalmente impermeabilizado.
- Leia Também
- Restos de asfalto deixam caos na Rachid Neder e rotatória é fechada para limpeza
- Bombeiros e Defesa Civil alertam para risco de atravessar áreas alagadas
'Hoje, quase não há onde a água infiltrar. Em qualquer chuva mais intensa, ela corre para esse ponto', explica. Ele destaca que o volume da enxurrada também contribui para o estrado, pois a água vem com muita pressão e acaba carregando as placas de asfalto. A situação é bastante comum quando chove.
Segundo o especialista, a região precisa passar por um estudo específico para dimensionar a condição hidráulica e minimizar o problema. “Talvez seja necessária uma obra de maior porte ou alguma intervenção para desobstruir o fluxo, porque a água está sendo barrada.' Na avaliação dele, a situação poderia ter sido prevista.
Questionado se o problema foi causado por obra mal executada, o professor pondera que as construções seguem controles de qualidade. “Às vezes, o problema não está na obra, mas na força externa para a qual ela não foi projetada. Você projeta um asfalto para suportar dois ou três metros de lâmina d’água corrente? Não. Então é algo que precisa ser investigado antes de qualquer conclusão', afirma.
Formagini lembra que existem diversos ensaios que permitem avaliar a qualidade de uma obra. Sobre o risco de o mesmo cenário ocorrer em outras áreas alagadas da cidade, especialmente próximas a córregos, ele responde que sim. “O problema é hidráulico. As bacias hidrográficas da região captam grandes volumes de água, e a cidade está cada vez mais impermeável. Isso exige investimento e políticas públicas de longo prazo', explicou.
Ele reforça que projetos deveriam considerar o tempo de vida útil da obra, a intensidade e a recorrência das chuvas, além do padrão de ocupação urbana. “Com essas informações, é possível buscar soluções', detalhou.
O professor também aponta que a prevenção é possível. “Mais acima, já existem bacias de retenção, que são as represas. É preciso manter essas estruturas e, talvez, construir outras. Elas seguram parte da água e liberam o excedente só quando enchem. Múltiplas bacias, superficiais ou enterradas, ajudariam bastante na prevenção', conclui.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

