Polícia conclui que professora acusada de importunação sexual não cometeu crime

Laudos indicaram incapacidade em um dos envolvidos e caso foi encaminhado para Judiciário

| ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS


Vista aérea da UFGD onde acusada dá aulas (Foto: Divulgação)

Investigação concluiu que a professora de Medicina da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) não cometeu importunação sexual contra quatro alunos da instituição localizada na cidade a 251 quilômetros de Campo Grande. A denúncia foi feita no início do mês e a acusada foi afastada das atividades dois dias depois.

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Conforme a delegada Ariana Gomes, o inquérito do caso foi encaminhado para o Judiciário na na quarta-feira (25) e deve ser analisado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). No entanto, os laudos médicos apontaram que o homem de 30 anos, filho da professora, não tem capacidade de compreender os atos por ter transtorno do espectro autista.

A investigação apontou ainda que o pai da professora, idoso acusado de ter recebido as acadêmicas de cueca, não cometeu crime e que a mulher não tem responsabilidade criminal por omissão.

No entanto, a delegada explicou que não está dizendo que não houve nada e que o que aconteceu foi normal. O que a investigação apontou é que o que ocorreu não se enquadra no crime de importunação sexual ou outro crime contra a dignidade sexual.

Sobre ter aplicado a prova às alunas em sua própria casa, a delegada detalhou que uma possível punição administrativa deve ser avaliada pela própria instituição. A reportagem procurou a UFGD e aguarda o retorno.

Entenda o caso - Conforme o boletim de ocorrência registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), os atos ocorreram nesta segunda (9), na casa da professora, que é psiquiatra, localizada no Portal de Dourados, bairro de alto padrão da maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul.

As acadêmicas do 2º semestre do curso, de 19, 20, 21 e 25 anos, afirmam que foram até a residência da professora para fazer uma prova e, quando chegaram, foram recebidas por homem idoso, usando apenas cueca. Depois, foram agarradas e beijadas à força pelo filho da psiquiatra, homem adulto com idade entre 25 e 30 anos.

Segundo a ocorrência policial, os atos aconteceram na presença da professora, que não o impediu. Para se desvencilhar do homem, uma das acadêmicas disse que tinha namorado. A todo o momento, conforme a denúncia, o indivíduo dizia: “quanta mulher bonita, quero tirar foto com elas'.

Diante da cena, a professora teria falando para outra pessoa da casa: “tira esse merda daqui', novamente pedindo desculpas às alunas, dizendo que se tratava de seu filho, que tem TEA (Transtorno do Espectro Autista). Mesmo abaladas, as estudantes fizeram a prova, corrigida em seguida pela professora.

A psiquiatra teria dito: “quem não gostou da nota, pode voltar aqui em casa, estude e volte'. As acadêmicas disseram ter conhecimento que tal professora já havia sido proibida de aplicar avaliações em sua residência, mas não a questionaram, pois, além dela ser autoritária, precisavam de nota.

Em 11 de junho, a UFGD anunciou o afastamento da professora. O afastamento imediato foi determinado por portaria. A medida é de caráter preventivo e natureza acautelatória, ou seja, não é punitiva.

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