Fio metálico é retirado do peito de bebê, mas "guerra ainda não acabou", diz mãe

Objeto encontrado no coração da criança é fio guia de cateter esquecido em procedimento há nove meses

| MURILO MEDEIROS / CAMPO GRANDE NEWS


Beatriz e André Melo com o filho deles, antes da entrada no centro cirúrgico (Foto: Arquivo pessoal)

A cirurgia para retirada de fio metálico esquecido no coração de bebê de um ano e seis meses foi considerada um sucesso pela equipe médica pediátrica responsável pelo procedimento. A criança ainda precisa de cuidados constantes e segue sedado, em observação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital da Cassems de Campo Grande.

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A cirurgia para remover um fio metálico esquecido no coração de um bebê de um ano e seis meses foi bem-sucedida, mas a criança ainda está em observação na UTI do Hospital da Cassems, em Campo Grande. O fio, deixado durante um cateterismo há nove meses, estava preso na válvula tricúspide do coração. Os pais, Beatriz e André Melo, planejam acionar judicialmente os responsáveis pelo erro médico. A equipe médica continua monitorando a recuperação do bebê, que já foi extubado, mas permanece sedado. A família agradece o apoio e destaca a importância de exames adicionais após procedimentos invasivos.

O objeto era, de fato, um fio guia de cateter, deixado por médicos durante um cateterismo realizado há nove meses no Hospital da Cassems de Três Lagoas. O fio estava fixado na válvula tricúspide do coração da criança, no ventrículo direito e no septo, parede que separa os dois lados do músculo cardíaco.

'Não foi fácil dissecar, o médico realmente falou que estava muito difícil', diz Beatriz Melo, mãe do menino, que está no hospital com o marido, André, acompanhando todo o procedimento. A operação de peito aberto é considerada uma cirurgia cardíaca de grande porte e, por isso, ainda há riscos e a criança precisa ficar sedada no hospital. Por enquanto, não há previsão de alta para o bebê.

Por enquanto, os pais estão focadas na reabilitação do bebê, mas o advogado da família já trabalha para acionar judicialmente os responsáveis pelo erro médico.

'Até agora não sabemos o que aconteceu para deixar este fio guia dentro dele. Pode ter sido uma soma de imperícia com negligência? Materiais de péssima qualidade? Falha no processo de procedimento seguro e de comunicação entre médicos? Fato é que meu bebê corre risco de vida e por uma causa quase que 99% evitável', lamenta Beatriz Melo, mãe da criança.

A família considera que o atendimento em Campo Grande foi 'humanizado e profissional'. Agora, a equipe médica se empenha para garantir que a criança tenha bons resultados na recuperação. 'O doutor falou que a guerra ainda não acabou. Vencemos a principal parte, mas agora é a segunda parte', diz a mãe. O bebê já foi extubado, mas ainda está sedado para ficar calmo durante o monitoramento.

O casa agradece pelas orações e segue confiante na recuperação do filho. 'Vai dar tudo certo, já vem dando certo há nove meses, não ia ser agora que o Senhor poderia soltar a mão dele. Estamos imensamente agradecidos a Deus, por mais esse milagre na vida dele', diz Beatriz, emocionada.

A mãe ressalta a importância de solicitar exames adicionais após procedimentos invasivos, como o cateterismo.  'Pedir tomografia ou um simples raios-x para saber se ficou algum artefato perdido no coração. Se tivessem descoberto precocemente, não haveria necessidade do bebê passar por isto'.

Erro médico - O fio metálico foi esquecido no coração da criança quando ela passou por duas internações devido a infecções graves no ouvido. Na época, os médicos precisaram realizar um cateterismo central no pescoço do bebê.

Durante o procedimento, o fio guia do cateter foi acidentalmente deixado no organismo dele. A família descobriu a situação na quarta-feira (7), há uma semana, quando a criança foi levada novamente ao hospital porque os pais suspeitaram que ele havia engolido uma pilha enquanto brincava com uma calculadora.

Ao realizar exame de raios-x, os médicos não encontraram a pilha no sistema digestivo da criança, mas o fio metálico foi descoberto. Em resposta ao Campo Grande News, a assessoria da Cassems informou que 'seguindo resoluções e normativas éticas, não comenta quadros de pacientes atendidos em suas unidades'.

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