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Justiça condena 18 réus de facção criminosa a mais de 100 anos de prisão
Ação do Gaeco buscou desarticular a atuação do Comando Vermelho no âmbito estadual
| GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS
A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou, nesta quarta-feira (23), 18 réus em mais uma fase da Operação Bloodworm, ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) que buscou desarticular a atuação do Comando Vermelho, no âmbito estadual.
Com penas que somam 115 anos e multas que podem chegar a R$ 45 mil, essa é a décima ação penal resultante das investigações iniciadas há um ano e meio. Segundo dados divulgados pelo MP (Ministério Público Estadual), os condenados foram punidos por crimes como organização criminosa, uso de arma de fogo e associação para o tráfico, com agravantes por atuar dentro de estabelecimentos prisionais.
A maior condenação, de quase 11 anos, foi do policial penal Odair Pereira da Silva, de 48 anos. Ele era lotado na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira 2, conhecida como 'Federalzinha', em Campo Grande, desde 26 de novembro de 2021.
Como divulgado pelo Campo Grande News no ano passado, Odair era conhecido pelos integrantes da organização criminosa como 'Contador CV', porque além de ser policial penal desempenhava também, profissionalmente, a função de contador em escritório de contabilidade.
Entre os outros sentenciados, cinco são advogados, que foram identificados como intermediários da facção criminosa, funcionando como “pombos-correios' para facilitar a comunicação entre os líderes encarcerados e seus comparsas.
Atualmente, 14 dos condenados estão presos preventivamente, enquanto dois permanecem foragidos, o que levou à suspensão dos processos relacionados a esses réus. Desde o início da operação, já foram julgadas 10 ações penais, com 79 condenações no total e 417 anos de penas aplicadas. Uma ação penal ainda está pendente de julgamento.
As investigações do Gaeco, que duraram 15 meses, revelaram que a facção carioca estava se estruturando no estado e utilizando a Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II como base para suas operações. O esquema envolvia a corrupção de policiais penais e advogados, permitindo a entrada de celulares nas prisões, o que resultou na coleta de provas sobre os crimes orquestrados de dentro das celas.
Com a comunicação externa estabelecida, os criminosos coordenavam crimes como roubos, tráfico de drogas e comércio de armas. Eles também planejavam uma tentativa de dominar o crime aqui no Estado, por ser região estratégica para o mercado ilegal de drogas, armas e também 'corredor de fuga de bandidos'.
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