Para Carnaval da Capital se firmar, vereadores querem data no calendário oficial

Um projeto de lei propõe inclusão da data, enquanto outro quer criar uma frente parlamentar de defesa à folia

| CASSIA MODENA E CAROLINE MALDONADO / CAMPO GRANDE NEWS


Banda anima foliões no bloco Cordão da Valu, em concentração na Esplanada Ferroviária de Campo Grande (Foto: Juliano Almeida/Arquivo)

Faltam mais de cinco meses para o próximo Carnaval chegar, mas ele foi assunto na Câmara de Campo Grande, nesta terça-feira (3). Houve a tentativa de colocar à mesa diretora dois PLs (Projetos de Lei) relacionados à festa, para serem votados em regime de urgência pelos parlamentares. Isso deve ficar para a próxima quinta-feira (12), no entanto.

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) é a autora dos dois projetos e conversou com os colegas para agilizar a votação. Um deles pretende incluir o Carnaval como evento no Calendário Oficial de Eventos de Campo Grande e poderá vir com uma emenda para permitir qualquer entidade de realizar o desfile das escolas de samba.

O segundo projeto propõe criar uma Frente Parlamentar de Defesa do Carnaval dentro da Câmara, com vereadores discutindo a injeção de recursos dos cofres públicos para apoiar a folia.

Além da autora dos PLs, Valdir Gomes (PP) e Ronilço Cruz (Podemos) apoiam as propostas e querem a votação em regime de urgência, pensando na antecedência com que a festa é planejada e os prazos de discussão, votação e possível sanção dos projetos em leis municipais.

Para firmar - Luiza argumenta que incluir a tradição criada pelo povo no calendário oficial do município, fará com que ela se firme e haja mais certeza quanto ao financiamento público.

'Todos os anos, quando está perto do Carnaval, a gente tem um problemão aqui na cidade. Ninguém sabe se o Carnaval sai, se não sai, se vai ter financiamento público, que tamanho que é o financiamento, se a rota que os blocos frequentam é uma rota permitida ou não é', disse a vereadora.

Já a ideia da frente parlamentar é para que a Câmara 'tenha um espaço de diálogo com as autoridades municipais e estaduais a respeito do Carnaval', ela acrescenta.

Este ano, a folia recebeu recursos do Município, do Estado de Mato Grosso do Sul e de emendas parlamentares. A proposta é consolidar a data e manter a frente de defesa para provocar um compromisso com os repasses.

R$ 22 milhões - Segundo a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, foi esse o valor que o Carnaval movimentou na Capital este ano.

Presidente da Lienca (Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande), Allan Catarineli destaca que o desfile das escolas de samba ocorre desde a década de 60.

'Já é uma cultura, uma tradição já consolidada na nossa Capital. A cada ano, o nosso Carnaval está se expandindo. Há essa necessidade de incluir no calendário oficial, considerando a tradição que nós temos, que as escolas de samba têm também, e o desenvolvimento econômico que ocorre durante esse período aí', fala o presidente da liga.

Alan relata a insegurança que existe. 'Todos os anos, se muda prefeito, há uma dificuldade. Mas estamos sempre dialogando, porque o nosso carnaval é baseado em planejamento. A verba que nós dependemos do Estado e da Prefeitura não pode só vir na época do Carnaval, tem que vir com antecedência. É isso que estamos pleiteando. E também queremos ter nosso espaço consolidado, o nosso sambódromo', conclui.

Sessão de hoje - Os vereadores aprovaram quatro projetos e mantiveram três vetos do Poder Executivo.

Em única votação, foi mantido o veto total ao projeto de lei complementar n.º 745/21, que pede adaptação de brinquedos para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nas escolas, praças e parques públicos e privados.

Também houve veto total ao projeto de lei n.º 11.082/23, que cria a Política Municipal de Educação Ambiental de Campo Grande.

Outro veto foi ao projeto de lei n.º 11.357/24, que acrescenta dispositivos à lei n.º 3.593, de 14 de dezembro de 1998, que cria a Agência Municipal de Transportes e Trânsito.

Em segunda votação, foi aprovado o projeto de lei n.º 11.310/24, que insere o símbolo mundial de conscientização do TEA (Transtorno do Espectro Autista) nas placas dos estabelecimentos públicos e privados que têm vagas de estacionamento preferenciais para pessoas com deficiência.

Foram aprovados ainda, um projeto que institui o uso de pulseiras da cor roxa para identificar pessoas portadoras da doença de Alzheimeir; outro que inclui no calendário oficial da Capital o dia 9 de outubro como sendo o Dia do Açougueiro; e outro que reconhece como pessoas com deficiência as que têm fibromialgia.

LDO - Na sessão de hoje, o presidente da Câmara, vereador Carlos Augusto Borges, o 'Carlão' (PSB), disse que ficará para esta quinta-feira (5) a discussão sobre quatro vetos da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Os vetos dizem respeito aos temas cultura, execução de obras e publicidade.

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