No "Beco do Tirão" tráfico vence polícia a metros de delegacias, dizem moradores

Vizinhos reclamam da falta de segurança pública com comércio “formiguinha' de entorpecentes nas ruas do bairro

| GABRIELA COUTO / CAMPO GRANDE NEWS


Rua da Tuba, com movimentação de alguns moradores no final da tarde desta quinta-feira (29) (Foto: Juliano Almeida)

“Tem de R$10. Tem de R$ 20', diz o traficante para qualquer veículo que parar entre o quadrilátero das ruas da Flauta, Pandeiro e Tuba. O lugar é popularmente conhecido como “Beco' no bairro Tiradentes, também apelidado de “Tirão'.

Pelas ruas estreitas, incapazes de permitir a circulação até de carros, ficam as “biqueiras' mais populares. Há décadas o bairro permanece com um modus operandi de traficantes que aliciam jovens da periferia que buscam o caminho mais rápido para conseguir dinheiro.

Assim eles se transformam em vendedores, que operam a cada esquina. “O traficante passa a droga a prazo. Depois de vendida, ele passa para receber', explica uma das vizinhas do ponto.

Incomodados pelo aumento da insegurança, os moradores que convivem com vizinhos “olheiros' e vendedores decidiram denunciar a escalada de violência no local. Sem querer se identificar, por motivos de segurança, eles afirmam que a situação fica pior no período da noite.

“Nós cidadãos de bem estamos sofrendo com o fluxo do tráfico formiguinha. Constantemente tem roubos, furtos assalto aos carros de aplicativo. Até mesmo os próprios usuários de droga, no caso clientes deles, eles roubam. A polícia vem durante horários que eu digo desnecessário, porque depois das 21h começa nosso martírio. São brigas, confusões, moleque empinando moto', lamenta uma das moradoras.

De acordo com outra pessoa, a região onde os vendedores atuam passa por momentos de paz após operações policiais. No entanto, a última grande ação da polícia ocorreu em janeiro deste ano. De lá para cá, a situação piorou.

“Antes era mais discreto. Agora está mais difícil, saiu do controle. Está fora do normal. Eles passam chutando nossos portões. Ficam loucos. Roubam carros e quebram garrafas nas nossas plantas', lamentou outro morador.

O pedido é que uma base da guarda municipal ou da polícia seja montada no local para fazer abordagens mais contínuas.

Outro problema que está ocorrendo é a permanência de usuários de drogas atrás do Supermercado Pires, na Travessa Oboé. Uma “minicracolândia' está se formando no local, com pessoas em situação de rua. A situação tem causado pânico entre os moradores.

Curiosamente, o “Beco' fica numa espécie de ilha entre três delegacias importantes da Polícia Civil. Está a 900 metros da Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), 1,2 km do Cepol (Centro Especializado e Polícia Integrada), que abriga várias unidades de investigação, e 2 km da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

As denúncias, segundo os moradores são de conhecimento das forças de segurança. “A polícia tem que estar presente. A polícia sabe o que está acontecendo, porque tem denúncia no 190. Final de semana fica pior. O bicho pega. À noite, de madrugada, 3h, 4h, é carro, moto, passando. Eles (vendedores) ‘atendem’ à noite inteira. Quer dizer então que não tem polícia. Não tem porque a madrugada inteirinha eles ‘atendendo’. E você vê só ‘carrão’ burguês que vem', relata outra vizinha.

Resposta – A assessoria de imprensa da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que há pouco tempo a Denar realizou uma operação policial no bairro para combater o tráfico de drogas.

“Em contínuo trabalho que a repressão ao tráfico de drogas exige, outras operações estão sendo planejadas com foco naquele bairro. Também, em outra linha de trabalho que compete a Polícia Civil, investigações são feitas para as identificações de pessoas que vendem drogas, e posterior medidas legais serão providenciadas. Todas denúncias são bem vindas e analisadas, para o embasamento dos trabalhos da Polícia Civil, na repressão aos crimes', afirmou a nota.

A reportagem também pediu um posicionamento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, mas até a publicação desta matéria não recebeu um retorno. Os moradores chegaram a enfatizar que a presença de viaturas do Batalhão de Choque assusta os vendedores de droga, mas que as rondas não são constantes. O espaço segue aberto para o posicionamento da segurança pública.

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