Na entrada do Pantanal, vinícola usa fogos contra invasão de pássaros

Método utilizada pelos funcionários para evitar o prejuízo está incomodando os moradores da região

| VIVIANE OLIVEIRA / CAMPO GRANDE NEWS


Incomodado com o barulhos dos fogos, cachorro se escondendo ao lado de máquina de lavar roupa (Foto: Direto das Ruas)

Agricultores da Vinícola Terroir Pantanal, localizada em Camisão, distrito de Aquidauana, distante 141 quilômetros de Campo Grande, na entrada do Pantanal, estão usando fogos de artifício para espantar os pássaros que estão invadindo as plantações de uva.

O método utilizado pelos funcionários para evitar o prejuízo está incomodando os moradores que vivem nas redondezas. Eles contam que a vinícola existe há dois anos, mas de dois meses para cá a situação tem piorado muito com o acionamento dos fogos a cada dez minutos ou até menos.

Morador de 56 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, contou que a situação tem trazido muito transtorno. “Eles estão dentro de uma APA (Área de Proteção Ambiental) soltando fogos para afugentar as aves, as araras azuis. Entraram dentro de um habitat natural e não querem que ataquem as plantações deles?', reclamou.

Segundo o morador, há várias formas de proteger as parreiras, sem perturbar os bichos, os animais domésticos e os moradores, como por exemplo, o uso de telas e rede de proteção. “Está insuportável, incomodando inclusive a população da região. Aqui tem idosos, autistas, deficientes. Todos nós ficamos assustados com esse barulho. Essa situação não pode continuar', lamentou.

O assunto repercutiu nas redes sociais. Os moradores questionam o método primitivo para proteger as parreiras e destacam justamente o turismo de natureza, carro chefe da região. “Triste dia em que soubemos que as aves do Pantanal valem menos que uma garrafa de vinho. O que era para ser um aliado na conservação, tornou-se um verdadeiro transtorno para a população e, principalmente, para os animais e aves do distrito'.

'Sabem me dizer o que são esses foguetes. Toda manhã agora? Coisa desagradável', escreveu uma moradora no grupo de WhatsApp. “Imagino que seja a estratégia mais barata. Com certeza há outras métodos melhores e de menor impacto para as aves, animais e pessoas. As empresas vendem o nome do Pantanal, mas chegam aqui e soltam fogos nas aves. As pessoas vêm aqui justamente para ver as aves', lamentou.

Vídeo encaminhado à redação mostra um dos funcionários justificando os fogos de artifício. Segundo ele, as aves têm invadido as parreiras em buscas de uvas maduras, que estão a poucos dias de serem colhidas.

“O pessoal está reclamando, mas olha o que o passarinho está fazendo. O povo acha que a gente está perturbando porque a gente quer, mas o prejuízo é grande. A gente não quer perder o investimento. Olha o que sobrou! Daqui até lá não tem mais nada', mostra as uvas que foram danificadas pelas aves.

Indagado, o proprietário da vinícola, Gilmar França, explicou que a proteção dos vinhedos é feita com telas e deixa uma área específica livre para que os pássaros possam se alimentar. 'Usamos um equipamento sonoro com decibéis controlado para direcionar os pássaros para a área que eles possam comer as uvas', destacou. Gilmar encaminhou foto das parreiras protegidas com as telas.

Ele explicou que o controle sonoro é feito de três a cinco dias antes da colheita, que deve ocorrer na próxima segunda feira (10). 'Não há nenhum dano as aves porque o efeito é muito localizado e o volume controlado. É exatamente por essa razão que o equipamento usado é autorizado pela órgãos ambientais brasileiros e pela comunidade europeia.

A reportagem entrou em contato com a PMA (Polícia Militar Ambiental) para se posicionar sobre o assunto e aguarda retorno.

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