Jogador denuncia PM por ameaça e injúria racial: "te prendo, nego"

A confusão aconteceu na partida entre Náutico e Portuguesa, na noite de quinta-feira (29), nas Moreninhas

| GABRIEL DE MATOS / CAMPO GRANDE NEWS


Momento da confusão entre jogadores da Portuguesa, Náutico, arbitragem e PM (Foto: Lucas Siqueira/Portuguesa)

O jogador da Portuguesa, Vinícius Machado, acusa policial militar de ameaça e injúria racial. O ataque teria acontecido na partida entre Náutico e Portuguesa, pelo Campeonato Sul-Mato-Grossense Série A de futebol masculino. O jogo terminou em 3 a 2 para a Lusa, no Estádio Jacques da Luz, nessa quinta-feira (28). Em um dos momento, o PM teria dito: 'Eu te prendo, nego'.

A confusão envolvendo jogadores da Portuguesa e policiais militares ocorreu por volta dos 19 minutos do 1º tempo. Após a arbitragem comandada por João Bosco Rodrigues Echeverria marcar pênalti, jogadores da Lusa passaram a questionar a decisão.

Atletas do Náutico defenderam a decisão e começou o bate-boca. Enquanto o  árbitro se reunia com um dos assistentes, dois policiais militares entraram em campo com arma em punho. Um deles puxou Vinicius pelo braço e o conduziu por alguns metros. O policial chegou a sair do campo, mas voltou, segundo relato do jogador, quando começou a ameaçá-lo. 'Eu acho você onde você estiver. Vou lá no vestiário e pego você', teria dito.

O jogador garante que o policial não parou por ai, ameaçou dar voz de prisão e o chamou de 'nego'. 'Eu te dou voz de prisão, você está me desacatando, eu te prendo, nego'. Vinícius questionou e o PM teria continuado. 'Eu te prendo, nego'.

Denúncia foi registrada na Corregedoria Geral da Polícia Militar nesta sexta-feira (1). Nas redes sociais, a Associação Atlética Portuguesa publicou nota repudiando o fato.

'A Portuguesa é um time de todos e não tolera esse tipo de comportamento. Diante disso, em apoio ao jogador, reuniu provas e testemunhas para formalizar a denúncia'.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar via assessoria. Em nota, a resposta cita que 'durante a realização da partida, após um lance polêmico, vários jogadores cercaram o árbitro. Na visão do comandante da equipe da PM, foi necessária a intervenção da polícia, a fim de resguardar a equipe de arbitragem e atletas'.

Com relação ao suposto ato racista e ameaças, a instituição destacou que 'se necessário' vai investigar o caso. A PM finalizou a nota informando que não compactua com 'desvio de conduta' de qualquer um de seus agentes.

Até o momento, a FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) não disponibilizou a súmula do jogo em seu site. Portanto, não é possível saber se a arbitragem registrou a situação.

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