Construção de condomínio popular em loteamento divide opinião de moradores

Conforme a Emha, o processo de sorteios seguirá as diretrizes do programa Minha Casa, Minha Vida

| VIVIANE OLIVEIRA E ANTôNIO BISPO / CAMPO GRANDE NEWS


Terreno foi limpo pela empreiteira, responsável pela construção do condomínio popular (Foto: Marcos Maluf)

O anúncio da construção de um condomínio popular no Conjunto Residencial Jardim Antártica, na Travessa Laucídio Borges do Nascimento, próximo à USF (Unidade de Saúde da Família) na região do Bonança, em Campo Grande, divide a opinião de moradores.

No terreno, avaliado em R$ 2 milhões de acordo com a prefeitura, serão construídos 60 unidades habitacionais, 30 famílias serão sorteadas pela Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) e 30 pela Agehab (Agência de Habitação Popular do Estado de Mato Grosso do Sul) pelo programa Minha Casa, Minha Vida. O valor de cada apartamento está estimado em R$ 160 mil.

O feirante Ismael Delmondes dos Santos, de 68 anos, gostou da ideia. Ele mora no Bairro Aero Rancho, mas há 20 anos tem uma horta, onde cultiva hortaliças, próximo ao terreno. Na semana passada, o morador foi informado por funcionário da empreiteira, responsável pela construção, de que na área serão construídos apartamentos populares.

“Pra mim vai ser muito benéfico, porque são mais clientes que estarão chegando para consumir os meus produtos. A construção não vai afetar a área onde eu planto', contou animado. Segundo o idoso, em mandatos anteriores de outros prefeitos chegou a ser feita reunião para discutir a construção de uma praça na área, mas o projeto não vingou. “Os moradores não estão muito contentes com a vinda do condomínio popular. Eles não estão satisfeitos', afirmou.

A aposentada Marluce Silva, de 69 anos, não ficou feliz com a notícia. A mulher vive no bairro há 10 anos e afirma que tanto ela quanto outros moradores estão inseguros com a construção de casas populares. “Há anos a gente pede a construção de uma praça aqui. Na gestão do outro prefeito, chegou a ser protocolado o projeto', reclamou.

Ela disse que ficou sabendo do residencial quando começaram a fazer a limpeza do espaço. “Não é preconceito, mas a gente não sabe o que pode acontecer depois da construção desse condomínio. Eu pretendo vender a minha casa futuramente, se fosse construída praça ou área de lazer, com certeza valorizaria meu imóvel. As ruas aqui são muito tranquilas, a maioria das pessoas são idosas, então a gente não sabe o que pode acontecer no futuro', disse. Ainda não se sabe quanto as obras devem começar.

Conforme a Emha, o processo de sorteios seguirá as diretrizes do programa Minha Casa, Minha Vida. Os interessados devem procurar a Emha ou a Agehab e, posteriormente, se inscreverem nos sorteios dos apartamentos do empreendimento, demonstrando interesse em adquirir o imóvel. O sorteio será realizado em praça pública, mas ainda não tem data definida.

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e o governador do Estado, Eduardo Riedel (PSDB), se reuniram nesta semana para assinatura do contrato de construção  das unidades habitacionais no Jardim Antártica. De acordo com Adriane, a assinatura dá início ao Novo Minha Casa Minha Vida no país, que passou por mudanças no ano passado.

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