Trabalhos de técnicos estrangeiros duram 50 dias a mais que os de brasileiros na elite nacional

Desde 2019, o português Abel Ferreira e o argentino Juan Vojvoda têm os trabalhos mais longos. Mesmo se fossem excluídos, trabalhos de estrangeiros ainda teriam duração maior do que os de brasileiros

| GLOBOESPORTE.COM / VALMIR STORTI


Data FIFA vira 'pesadelo' para o Palmeiras de Abel Ferreira

Considerados apenas os trabalhos realizados em times que estivessem em uma temporada de Série A, os treinadores estrangeiros em média ficaram 50 dias a mais no comando de clubes da elite nacional do que os técnicos brasileiros desde 2019.

Foram analisados 206 trabalhos que duraram mais de 30 dias considerando as datas do primeiro e do último jogos. Os 163 trabalhos comandados por técnicos brasileiros duraram em média 138 dias ou quatro meses e meio, e os 43 trabalhos realizados por treinadores estrangeiros tiveram duração média de 188 dias ou seis meses e uma semana. Na ponta do lápis, em média, os técnicos estrangeiros ficaram 36% mais tempo no cargo.

O gráfico abaixo apresenta um resumo do que é ser treinador brasileiro em clube de futebol na elite. Os trabalhos até 30 dias foram excluídos para não serem computados os interinos e os possíveis choques de realidade, quando empregador ou empregado descobrem muito rapidamente que o dia a dia era diferente do imaginado ou que simplesmente está atualmente no clube, mas há pouco tempo.

Ainda assim, dos 206 trabalhos analisados em temporadas de Série A, 56 duraram entre 31 e 60 dias (27% do total). Em alguns casos, o que acabou foi a permanência do clube na Série A. Em caso de rebaixamento para a Série B, o período contabilizado para um treinador foi encerrado no último jogo da temporada de Série A, independentemente de o treinador ter sido mantido no clube na temporada seguinte.

Em outros casos, como no Paulo Pezzolano, no Cruzeiro, só foi iniciada a contagem a partir do momento em que disputou a primeira partida na temporada de Série A, em 2023, apesar de ter passado todo o ano de 2022 no clube (58 jogos). Na temporada de Série A, ele só disputou o Mineiro, dez jogos ou 57 dias, já que acabou eliminado nas semifinais.

Foram considerados apenas os jogos de temporadas de Série A devido aos níveis de investimento e competitividade serem muito maiores. Se a temporada na Série B também fosse considerada, o técnico paraguaio Gustavo Morínigo teria um dos trabalhos mais duradouros, pelo Coritiba.

Após domínio, influência estrageira mingua

Desde 2019, técnicos estrangeiros conquistaram dois dos quatro títulos disputados. O ano de 2019 se tornou referência porque o português Jorge Jesus comandou com brilhantismo o campeão Flamengo, se tornando o primeiro estrangeiro a conquistar o campeonato nacional desde o argentino Carlos Volante, pelo Bahia, sessenta anos antes, em 1959. Jesus ainda conquistou a Libertadores.

Depois, Abel Ferreira assumiu o Palmeiras, em 2020, conquistando duas Libertadores (2020 e 2021), Copa do Brasil (2020) e o Brasileirão (2022), além de ser o atual bicampeão paulista.

Com tamanho sucesso, os clubes passaram a contratar treinadores estrangeiros até que, em julho deste ano, eles se tornaram maioria em clubes da Série A pela primeira vez na história.

Vieram, viram e foram embora (ou mandados embora): atualmente, apenas seis dos 20 clubes da Série A contam com treinadores estrangeiros: Bragantino (Pedro Caixinha, português), Cuiabá (António Oliveira, português), Fortaleza (Juan Vojvoda, argentino) Internacional (Eduardo Coudet, argentino), Palmeiras (Abel Ferreira, português) e Vasco (Ramón Díaz, argentino).

Estrangeiros têm hoje os trabalhos mais longos

Abel Ferreira tem à frente do Palmeiras o trabalho mais duradouro entre os clubes de Série A nacional. Do primeiro ao último jogo comandados por ele já são 1.101 dias, desde 5 de novembro de 2020. E o segundo trabalho mais longo é de Vojvoda, no Fortaleza, 920 dias desde 12 de maio de 2021.

Seria natural se imaginar que sem esses dois trabalhos completamente atípicos para a realidade local, a média dos estrangeiros seria menor que a dos brasileiros, só que não: os brasileiros permaneceram à frente de um clube em temporadas de Série A por 138 dias, e sem contar a dupla recordista, os estrangeiros ainda sustentam uma média com trabalhos de 148 dias. O menor número de estrangeiros ajuda a elevar essa média, mas porque eles chegaram e se adaptaram como puderam.

O terceiro trabalho mais longo desde o início da temporada de 2019 foi de Renato Gaúcho, que de 20 de janeiro de 2019 a 14 de abril de 2021 comandou o time em jogos por 815 dias. Depois dele, Maurício Barbieri comandou o Bragantino em jogos por 794 dias, seguido por Fernando Diniz, que desde meio de 2022 orienta o Fluminense há 556 dias, considerado o último jogo disputado pela equipe.

*A equipe do Espião Estatístico é formada por: Gabriel Leonan, Guilherme Maniaudet, Guilherme Marçal, João Guerra, Leandro Silva, Roberto Maleson, Roberto Teixeira, Valmir Storti e Victor Gama.



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