Em busca de privacidade, banheiro ou carro viram refúgio para terapia

Não sabe onde fazer terapia/análise em casa? Solução pode estar no carro ou banheiro, vale tudo pela privacidade

| INFORMATIVOMS / CAMPO GRANDE NEWS


Dentro do carro, banco vira 'divã' para terapia continuar em meio à quarentena. (Foto: Marcos Maluf)

Quando a gente ia imaginar que, de repente, o carro ou o banheiro virariam refúgio para sessões de terapia? A privada e o banco se tornaram 'divã' para quem tem buscado a privacidade no acompanhamento psicológico, que, por consequência da pandemia, também passou a ser on-line.

Se você ver a fotógrafa Poliana Félix, de 33 anos, falando pela rua, não se assuste. É que suas sessões de psicoterapia estão sendo feitas assim mesmo, ora dentro do carro, ora dando uma volta pela quadra, a pé mesmo. Qualquer que seja o ambiente, ainda há sempre um cuidado adicional: vigiar se está sendo ouvida por alguém.

Mãe, ela já fazia terapia desde 2016, não de forma contínua e, quando voltou pela última vez ao psicólogo, só deu tempo de uma sessão presencial. 'Comecei fazendo no consultório, fui uma vez e depois decidi que ia fazer on-line por conta do risco, já estávamos na pandemia', conta.

A diferença entre ter um local apropriado para as sessões, pensado e disponibilizado por um profissional, e ter que buscar um, improvisado, com um mínimo de privacidade, foi gritante. 'Não é a mesma coisa e não me sinto mais à vontade, também porque não consegui fazer sozinha, tem o meu filho, meu marido que também está fazendo home office e, querendo ou não, a terapia envolve ele também', explica.

No caso dela, além da privacidade, é preciso ter alguém que fique de olho no pequeno Arthur. 'Às vezes vou para a minha sogra, a casa é grande e consigo ir para outro cômodo, mas fico o tempo todo: 'será que tem alguém me escutando'?', exemplifica.

Para conseguir fazer as sessões, o refúgio encontrado tem sido o carro, a casa da sogra ou, como falamos no início, a quadra mesmo. 'Fico dando voltas na quadra de casa para conseguir falar tranquila, aí fica pior por que quem vê acha que a gente é maluca. Hoje eu decidi que vou parar, não vou mais, estou bem e devo voltar quando for presencial', diz.

Parar com as sessões ainda não está nos planos da estudante Fernanda Elisa, de 22 anos, justamente porque a terapia a tem auxiliado a vivenciar o momento. Há dois meses, já na pandemia, ela voltou a fazer terapia e tem sido on-line desde o primeiro momento. Só que, em vez de ser vídeo chamada, Fernanda optou por ligação mesmo, então não existe nem o olho no olho virtual.

'Em alguns momentos eu acho bem prático por não ter que sair de casa e me locomover até outro local para falar dos meus problemas, mas em outros sinto vontade de ver minha psicóloga e a conhecer'.

Por morar em um loft com o noivo, o único ambiente realmente reservado da casa é o banheiro. Por sorte, o horário da sessão coincide com o trabalho dele, fora de casa. 'Mas quando por algum motivo ele chega mais cedo, eu tenho que ir ao banheiro para ter privacidade enquanto faço a consulta. Já que entendo que isso é essencial, a privacidade', fala.

Psicanalista, Marisa Costa tem 35 anos, 13 deles de formação, e nunca havia feito atendimento on-line antes da pandemia. 'Foi uma coisa que nos pegou de surpresa, não só a nós psicanalistas, mas toda a humanidade está passando por isso', comenta.

Como profissional, ela ressalta que entende que o mais importante no momento é o contato com o paciente. 'Mais do que local físico, é importante manter a transferência, o vínculo e muitas pessoas estão precisando, mais do que nunca, serem escutadas'.

Na prática das análises, ela percebe que a preferência dos pacientes é mesmo pelo atendimento presencial. 'Muitos pacientes tiveram essa resistência ao atendimento on-line, alguns superaram e desejaram retornar às análises, outros preferiram ficar sem atendimento esse período e cabe a nós entender e respeitar a posição de cada um', fala.

A dificuldade em fazer o tratamento on-line não tem um só motivo, pode ser pela privacidade ou também estranheza com a falta da presença física. 'Tem pessoas que pela questão da privacidade, acabam fazendo sessões no carro ou caminhando pela rua, onde se sente melhor do que estando dentro de casa com os familiares. Tem algumas que não quiseram, apesar de serem tão ligadas em internet, para o atendimento analítico preferiram não dar continuidade por ser algo novo, tem quem ache que internet é só para se divertir ou só para trabalhar', descreve.

No entanto, Marisa também sabe que sempre houve pacientes interrompendo o tratamento, com ou sem pandemia. 'Tem quem interrompe por determinado motivo, para depois retornar ou porque já foi suficiente para eles'.

De qualquer forma, é preciso ter privacidade para fazer suas sessões. Conte para a gente onde você tem feito terapia/análise? Tem alguma sugestão de pauta relacionada ao tema? Mande para a gente pelas redes sociais: Facebook, Instagram, e-mail: ladob@news.com.br ou então pelo Direto das Ruas, o WhatsApp do Campo Grande News: 9-9669-9563.



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